Nas minhas idas e vindas utilizando o transporte público trazem para minha coletânea de sabedoria popular um acréscimo considerável.
A simplicidade das pessoas traduz-se em “ cliques” mentais, sociais e filosóficos que são de uma pureza surpreendente.
Lá estava eu voltando do trabalho para casa quando entra no ônibus uma senhora cega, que já nos primeiros minutos mostra que é conhece o pessoal daquela linha de transporte e tem um bom humor invejável.
O caminho segue com ela perguntando sobre motoristas, cobradores e afins. Sorri muito, conversa e atualiza-se das novidades, contando as suas também.
No meio do caminho sobe um rapaz vendendo canetas. A famosa oferta de duas por 1 real, que varia por todos os dias: uns dias são balas, outro é chocolate. Hoje a oferta são canetas.
Ele faz o seu famoso discurso de que só está incomodando porque não tem outra fonte de renda, alardeia as qualidades de seu produto e relembra sempre que é só uma moedinha.
Como eu precisava de canetas, me prontifiquei a comprar e com um discreto sinal informei minha decisão.
A senhora que citei no começo chama o rapaz em alto e bom som dizendo que também quer comprar o item oferecido.
E aí começa um diálogo singular:
- Obrigado dona pela ajuda.
E a senhora, tateando a bolsa a procura de moedinhas diz:
- Eu não vou comprar para ajudar não, estou pagando pelo seu trabalho. Eu tenho um amigo que faz aniversário hoje e vou presentear com essas canetas. Eu também vendia coisinhas para as pessoas e nunca quis que comprasse algo para me ajudar, queria que valorizassem meu trabalho, que reconhecessem que eu estava trabalhando, não pedindo esmola.
Nessa hora, todos do ônibus prestavam atenção a conversa e depois que achou suas moedinhas, a cobradora ajudou na contagem das mesmas e na compra das canetas.
E a senhora continuou:
- É engraçado que se alguém pede esmola, muita gente bota a mão no bolso para dar. Se alguém chega trabalhando, vendendo alguma coisa, não dão atenção e parece que a pessoa ta cometendo um crime. Eu não ajudo, eu respeito você e seu trabalho. Essas canetas eu vou dar pro meu amiguinho.
O rapaz agradeceu e depois mais dois ou três compraram as canetas.
A senhora pegou as canetas que a cobradora lhe colocou nas mãos e guardou em um lugar estratégico de sua grande bolsa.
- Meu amigo vai gostar. Ele sempre me dá parabéns e um doce no meu aniversário. Você acredita que minhas irmãs sempre se cumprimentam nos aniversários, mas nunca me dão parabéns no meu? Meus amiguinhos não se esquecem de mim e hoje eu vou dar um presente para um amigo, isso não é bom?
Confesso que nessa hora já estava enxugando lágrimas furtivas nos meus olhos e o mesmo faço agora ao relatar esse “causo”.
Quanta sabedoria em uma simples viagem de ônibus.
Aquela senhora falou contra a discriminação, lembrou que cada um deve ser valorizado pelo que faz, falou da hipocrisia das pessoas que vêem ainda o dar esmola como compra do seu pedacinho no céu, escancarou o preconceito mesmo no âmbito familiar, alardeou a amizade como fonte de um carinho imenso e tudo isso sorrindo muito, sem se incomodar com a escuridão física em que vive, afinal a alma dela é tão iluminada que clareia sua vida, assim como de todos que convivem com ela e até de pessoas como eu, que cruzam rapidamente o seu caminho.
E tudo isso sem discurso feito, sem diploma embaixo do braço ou demagogias.
Ela me fez pensar e sorrir.
Ela pode ser cega, mas tem uma visão da vida muito maior do que quem enxerga perfeitamente com os olhos físicos.
A simplicidade das pessoas traduz-se em “ cliques” mentais, sociais e filosóficos que são de uma pureza surpreendente.
Lá estava eu voltando do trabalho para casa quando entra no ônibus uma senhora cega, que já nos primeiros minutos mostra que é conhece o pessoal daquela linha de transporte e tem um bom humor invejável.
O caminho segue com ela perguntando sobre motoristas, cobradores e afins. Sorri muito, conversa e atualiza-se das novidades, contando as suas também.
No meio do caminho sobe um rapaz vendendo canetas. A famosa oferta de duas por 1 real, que varia por todos os dias: uns dias são balas, outro é chocolate. Hoje a oferta são canetas.
Ele faz o seu famoso discurso de que só está incomodando porque não tem outra fonte de renda, alardeia as qualidades de seu produto e relembra sempre que é só uma moedinha.
Como eu precisava de canetas, me prontifiquei a comprar e com um discreto sinal informei minha decisão.
A senhora que citei no começo chama o rapaz em alto e bom som dizendo que também quer comprar o item oferecido.
E aí começa um diálogo singular:
- Obrigado dona pela ajuda.
E a senhora, tateando a bolsa a procura de moedinhas diz:
- Eu não vou comprar para ajudar não, estou pagando pelo seu trabalho. Eu tenho um amigo que faz aniversário hoje e vou presentear com essas canetas. Eu também vendia coisinhas para as pessoas e nunca quis que comprasse algo para me ajudar, queria que valorizassem meu trabalho, que reconhecessem que eu estava trabalhando, não pedindo esmola.
Nessa hora, todos do ônibus prestavam atenção a conversa e depois que achou suas moedinhas, a cobradora ajudou na contagem das mesmas e na compra das canetas.
E a senhora continuou:
- É engraçado que se alguém pede esmola, muita gente bota a mão no bolso para dar. Se alguém chega trabalhando, vendendo alguma coisa, não dão atenção e parece que a pessoa ta cometendo um crime. Eu não ajudo, eu respeito você e seu trabalho. Essas canetas eu vou dar pro meu amiguinho.
O rapaz agradeceu e depois mais dois ou três compraram as canetas.
A senhora pegou as canetas que a cobradora lhe colocou nas mãos e guardou em um lugar estratégico de sua grande bolsa.
- Meu amigo vai gostar. Ele sempre me dá parabéns e um doce no meu aniversário. Você acredita que minhas irmãs sempre se cumprimentam nos aniversários, mas nunca me dão parabéns no meu? Meus amiguinhos não se esquecem de mim e hoje eu vou dar um presente para um amigo, isso não é bom?
Confesso que nessa hora já estava enxugando lágrimas furtivas nos meus olhos e o mesmo faço agora ao relatar esse “causo”.
Quanta sabedoria em uma simples viagem de ônibus.
Aquela senhora falou contra a discriminação, lembrou que cada um deve ser valorizado pelo que faz, falou da hipocrisia das pessoas que vêem ainda o dar esmola como compra do seu pedacinho no céu, escancarou o preconceito mesmo no âmbito familiar, alardeou a amizade como fonte de um carinho imenso e tudo isso sorrindo muito, sem se incomodar com a escuridão física em que vive, afinal a alma dela é tão iluminada que clareia sua vida, assim como de todos que convivem com ela e até de pessoas como eu, que cruzam rapidamente o seu caminho.
E tudo isso sem discurso feito, sem diploma embaixo do braço ou demagogias.
Ela me fez pensar e sorrir.
Ela pode ser cega, mas tem uma visão da vida muito maior do que quem enxerga perfeitamente com os olhos físicos.
Êita nóis, Lisa... Só você pra trazer essa lição pra gente.
ResponderExcluirMuita gente vê isso, poucas percebem a lição.
Obrigado por dividí-la.
Bjo.
Bob