
Tem dias que os meus ouvidos servem como triturador de lixo!!
As pessoas exprimem suas opiniões como se espremessem limões e ainda acham que você deve fazer uma limonada com essas “verdades” (se é assim, quero a minha com açúcar e nada de adoçante, chega de gosto amargo na boca, por favor).
As miniaturas de conceitos de vida que são levadas a tiracolo pela maioria costumam ser tão insignificantes que somem diante dos verdadeiros problemas da vida, mas infelizmente também podem ser usadas como munição para os revólveres sempre engatilhados daqueles que adoram assaltar a vida alheia.
É muito fácil, quase uma brincadeira de criança – das antigas porque atualmente as crianças só brincam com alta tecnologia e eu não acho mais que é fácil essa idade infantil – colocar o dedo em riste e apontar todos os erros. Ou melhor, os meus erros, porque ninguém aponta os seus próprios erros.
Ou ainda ditar regras a seguir, o que devo vestir, como falar, o que comer e qualquer outra coisa que possa ser alvo da majestosa sabedoria que a maioria dos que me cercam parecem ser munidos.
Eu acho que faltei nesse dia e não ganhei essa sabedoria tão efêmera. Ou me confundi ao pegar as filas antes de nascer neste mundo e fiquei justamente na fila do aprendizado pelo modo mais difícil (vivenciando, claro).
Entendam bem o que digo: opiniões sempre são bem vindas. Conselhos sempre trazem alguma luz para o momento. Diálogo é a fruta mais doce de todo pomar de relacionamentos.
Certo? Ótimo.
Pena que isso só a minoria sabe. A maioria acredita que o bom é que a opinião deles é lei! Que conselho que nada, eles mandam você fazer algo e nada de conversas, escute, aceite e faça!
E a maioria sempre está certa! Você? Você é um relés inseto que tem duas mãos esquerdas (claro, nunca faz nada direito...), não consegue enxergar onde pisa, não tem senso de direção, não sabe o que sente e ainda por cima come de boca aberta!!!!
Ou seja, diante da sabedoria popular da maioria você é uma aberração!
De vez em quando, ou quase todos os dias, eu me sinto assim, uma Frankstein emocional que não aprendeu sequer o beabá do certo e errado. É uma sensação frugal diante de tanta coisa que me dizem que preciso aprender e mudar.
Ainda bem que isso passa. Que eu consigo montar o puzzle da minha vida todos os dias e perceber que tem peças que não se encaixam, mas que eu vou conseguir trocar com alguém que tenha alguns sentimentos de reserva para me abastecer do que preciso.
O melhor é quando consigo fazer piada do que escuto. Rir é o melhor analgésico.
Se eu acreditasse em tudo que me falam, com certeza eu seria uma ermitã, porque teria medo do mundo... e de mim mesma.
Ah, com certeza que eu estou errada em várias coisas. Mas o outro lado da moeda também existe: estou certa em outro tanto de coisas.
Essa é a beleza poética da vida: o certo e o errado mesclam-se como milkshake de ovomaltine: é saboroso experimentar, sustenta a vida, mas o paladar percebe bem o que é granulado e ainda não está harmonioso em nossas vivências. E contrariando a sabedoria popular, o final dele é mais doce do que o começo, então ainda resta uma esperança de dias melhores pela frente.
Agora me dêem licença, preciso esvaziar o meu triturador de lixo: vou ouvir alguns amigos, porque deles é o Reino dos Céus.
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