Outubro 29, 2010

BORBOLETANDO...

Borboletas traduzem a imagem de uma beleza guardada no interior de cada ser. Mas antes dessa beleza existir, há o casulo que a elabora, que lhe dá forças, que renova a vida.

Nada vem totalmente pronto e belo ao mundo, tudo tem seu preparo. O seu tempo.

E os seus motivos.

Mas nossos olhos e mentes não são treinados para observar realmente todas as partes de uma verdade, só enxergamos o que nos chama a atenção: ou o casulo ou a borboleta batendo suas belas asas.

Muitas vezes, ficamos tão absortos na beleza ou na feiúra externa, que esquecemos de “ver” o que cada coisa representa na verdade.

Uma palavra bem colocada, uma frase de efeito ou algumas promessas de bons sentimentos podem servir como um imã que atrai nossa atenção, distraindo-nos, criando uma falsa ilusão de eternidade.

Naquele minuto, tudo fica bem. Tudo está certo, tudo está perfeito.

São as asas movimentando a vida, tanto da borboleta como a nossa.

Se antes disso houve todo um processo evolutivo, a tendência nossa é ignorar. Porque o casulo é feio, não tem charme, não tem graça.

Mas é justamente no casulo que reside a verdadeira beleza.

Seria bom aprendermos a ver as pessoas, as situações, as verdades, as mentiras, a borboleta e o casulo.

Admirar o resultado, sem esquecer de todo preparo para que ele ocorra e de tudo que colaborou para aquele momento existir.

Hoje, ouvi falar sobre a borboleta-monarca e a borboleta vice rei.

Idênticas, mas uma delas possui toxinas que são fatais para seus predadores. A outra não possui a capacidade de gerar essas mesmas toxinas.

Ambas nasceram belas, mas uma delas é fatal.

O que colabora para sua diferença é a planta da qual se alimenta. A borboleta monarca, enquanto lagarta, alimenta-se de uma planta que não lhe faz mal, mas sua seiva servirá para que quando se transformar em borboleta, carregue o veneno em si.

Depende portanto, do que se alimenta para ser mortal.

Dependemos do que nos alimentamos moralmente para servos tóxicos ou não. Para termos uma beleza verdadeira ou uma beleza mortal.

E como ser humano infelizmente esse veneno não atinge aos predadores, mas a todos que estão a nossa volta.

Se optarmos por alimentarmos de mentiras e falsidade, seremos um dia, uma borboleta monarca. Se preferirmos folhas de vida sem a seiva venenosa de pensamentos negativos, vestiremos a roupagem da borboleta vice rei.

A beleza continuará lá, com ou sem o veneno. Depende de nossas escolhas.

E tanto o alimento como o casulo, tem a influência do ambiente em que vivemos, das nossas companhias e de nossas escolhas.

Não acredite na beleza só porque ela existe. Tente entendê-la.

Se existe muita borboleta enganando os predadores, tenha certeza que tem muita frase bonita que não exprime a verdadeira seiva que alimenta o interesse por trás dela.

Por isso que costumo ler nas entrelinhas! E não confio em um simples bater de asas, prefiro conhecer o casulo, os pensamentos e o que norteia a cada um.




3 comentários:

  1. Lindo texto Lisa. E muito significativo.

    Beijos

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  2. Percepção e paciência...

    Requisitos que, ao meu ver, são importantes para a interpretação dos acontecimentos e suas consequências.

    Entender o incompreensível, o inaceitável, transformando-o em aprendizado para a vida.

    Podemos aprender, apenas observando...para que decisões certas sejam tomadas.

    "Admirar o resultado, sem esquecer de todo preparo para que ele ocorra e de tudo que colaborou para aquele momento existir."

    Essa foi a frase do seu texto que mais traduz esse ensinamento...

    ...pena que poucas pessoas tenham esse dom.

    Isso nos torna pessoas especiais.

    Temos muito trabalho pela frente...

    Milton, Aracaju-se

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