Na pontinha do pé, a Desilusão se aproximou.
Aproveitou uma vaga entre as promessas feitas, os compromissos assumidos e as juras de amor esquecidas na gaveta da separação.
Não se revelou no primeiro instante, mesmo com o Desconforto de sua presença ignorando sua vontade de chegar incógnita.
Sentou-se ao lado dos revezes da vida, amigos de longa data, para saber das novidades alheias.
Encarou sem temor a Irritação, sua rival de antigos carnavais, que sempre tentava agitar a situação.
Mesmo querendo muito, não abraçou a Vontade, ela andava meio ressabiada com crise de identidade, não sabendo se assinava como má ou assumia seu lado bom.
E foi ficando por ali: tomou um café amargo, leu os jornais do passado recortando notícias desagradáveis para seu algum de recordações, jogou cartas com os irmãos Obstáculos (e eles perderam, claro), renovou sua aliança com a tristeza, como sempre fazia.
Observou a Fidelidade montando seu castelo de cartas e sorriu quando ela chorou no colo do Descontentamento ao ver cair por terra todo seu esforço.
Quanto mais o tempo passava, sua presença ia ficando marcante. Jogou conversa fora com a Desistência, cantou no karaokê com a Hipocrisia, tomou um drinque com a Traição (na verdade, forma muitos drinques, mas a Traição nunca admitiria isso em público, ela prefere manter suas travessuras escondidas).
Tudo ia bem, ou mal dependendo do lado que se observa. Quando a sala estava abarrotada de Perguntas, ela praticamente expulsou a Saúde para ficar melhor instalada.
Vitoriosa, ela já ia defender o usucapião daquela vida, quando no melhor estilo faroeste, entra em cena a Esperança, disposta a limpar os horizontes.
Indignada, irmã da Desilusão, revoltou-se com a Intromissão, mas não teve jeito: o duelo começou antes do nascer do sol e do fim da vida.
Entre Feridos e Mágoas, ficaram-se alguns, outros fugiram.
A Desilusão desistiu por hora, mas ficará de olho na situação e assim que a Esperança sair para tomar um refresco ou um ar fresco, ela volta.
Por causa desses momentos, acho que vou comprar um Discernimento, eles são bons cães de guarda!
Esperança, ei Esperança, me espere! Também quero tomar um refresco ao ar livre de maldades!

Minha querida, tenho que confessar : eu adoro seus escritos. Mesmo que muitas vezes eles me deixem triste, talvez porque eu entenda mais a fundo o real significado de alguns deles, não sei. Mas o fato é que adoro ler você.
ResponderExcluirApareça lá no blog. Não é nem de longe tão bom quanto o seu mas deixe um comentário e um beijo ok? Adoro você!
Beijo
Sil