Tristeza, sai do invólucro que lhe preserva dentro de mim e vá se perder nas névoas de outros momentos!
Que tal passear onde não lhe abrigam com tantas chaves a fechar sua saída?
Corre para outros campos e se tiverem flores, colha algumas para suavizar sua chegada.
Não insista, não fique, nem crie raízes.
Passe ao longe, nem que for para voltar mais perto.
Viaje de férias, sem pensar no retorno.
Quero de presente a sua ausência, tristeza carente de mim.
Veja se estou na esquina, mas conte até mil, você me fez caminhar tão devagar por tanto tempo.
Tristeza, não a rejeito, mas não a exijo.
Fique em um canto, se assim lhe apraz, mas fica quietinha porque se lhe ver sozinha, não resistirei e irei lhe abraçar.
Pé no chão, não me deixe sem teto ou sem estrelas.
Já não se cansou de ficar ao meu lado? Tristeza, pensa bem, eu não sou seu bem.
Eu e você, na mesma casa, torna tudo tão pequeno.
Descarrega suas malas, mas não peça que eu as leve comigo, você me deixa sem forças.
Se eu subir a ladeira da diferença, não seja o asfalto dos meus erros, só passe ao largo, em passos miúdos que lhe levem ao longe... ao muito longe de mim.
Tristeza, me abandone! Sem você, eu sou alguém.
Com você, eu não canto ou encanto. Nem escuto o pranto alheio, ocupada com o meu.
Mas se insistir em cruzar meu caminho, venha tomar um chá, porque as folhas em infusão aquecem até mesmo quando você insiste em esfriar o abraço que pleiteio.
Permita-me ser mal educada, vá embora tristeza e se puder, não volte!
Não a quero, rejeito seu pranto.
Nem me venha com esse olhar dolorido, com essa ladainha de eternos conhecidos.
Vai tristeza, vai embora. Se não for, vou eu!

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