Perdoe-me se não sou como você gostaria que eu fosse!
Se minhas palavras não dizem o que gostaria de ouvir, se meus passos seguem uma outra estrada, se meu coração resiste em mudar a maneira por vezes descompassada de marcar o ritmo de meus dias.
Seria muito bom se todas as outras pessoas fossem exatamente um reflexo daquilo que imaginamos que seja o ideal, não é?
Seria mesmo? Brincar de fantoches não é minha especialidade, muito menos ser um.
Mas, por sorte, a vida tem em seu currículo a capacidade de criar em infinitas formas, permitindo que cada um escolha a combinação das verdades relativas com as quais escreverá seu modo de ser.
Aprendi, a duras badaladas dos sinos que tocam por mim, que não faz parte do meu estilo viver trocando de máscaras conforme troco de palco. Por isso minha opção é insistir em representar aquilo que sou, ser testemunha da minha verdade mesmo que isso o desagrade.
Se no fim do espetáculo dos meus dias não ouvir um eco dos seus aplausos, lamentarei que não me tenhas compreendido, mas certamente esperarei que as cortinas se fechem sobre minha vida com a mente tranqüila.
Mesmo se o coração estiver despedaçado porque não me alegra não ser a sua esperança, motiva-me ser a esperança de viver como acredito.
Perdoe-me pelas palavras simples, por minhas ausências, por minhas negativas, por ser descrente de suas verdades.
Perdoe-me por ser eu mesma, mas não viveria ausente da minha própria identidade.
Mas, o que estou dizendo?
Se me amas, me perdoas a cada dia, porque mais certeiro do que as nossas verdades pessoais, está a verdade do vida: ele exista e isso basta.

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