Ele era um garotinho de olhar meigo, gestos comedidos, que prestava muita atenção a tudo em seu redor e de alma sensível.
Adorava brincar. Amava correr pelos bosques. Amava a liberdade.
Gostava de expressar sua opinião e queria que a respeitassem. Não era adepto a brigas, mas sabia se defender.
Sabia de suas coisas, mesmo quando o seu quarto estava bagunçado. Podia descrever cada detalhe do que gostava, às vezes com uma economia poética de palavras, mas escolhendo aquelas que mais representariam seus sentimentos.
Tinha um sorriso encantador, mas até certo ponto meio tímido. Alguns diriam que um leve toque de tristeza acompanhava esse sorriso, mas ele mantinha-se misterioso até para quem o conhecia há algum tempo.
O menino cresceu e tornou-se inquieto. Algo lhe faltava e ele queria descobrir o que era.
Cada dia de sua vida era marcante, porque ele viajava em seus ideais.
Olhava a vida de uma maneira que poucos observam e compreendia o que as outras pessoas sentiam.
Quando jovem ainda, conheceu aquele que seria seu amigo inesquecível e ambos souberam que seus caminhos seguiriam pela mesma direção por algum tempo. E o mundo nunca mais foi o mesmo, o mundo ficou pequeno para tantos sonhos que os dois criaram, construíram, idealizaram e realizaram.
Concordavam em muitas coisas, discordavam em outro tanto, como era necessário para somarem suas mentes, suas almas e corações.
Os dois precisavam de mais. Vieram outros e ficaram um pouco. Mas aos dois somaram-se mais dois. Os quatro tornaram-se especiais porque cada um era especial, de formas diferentes.
Os quatro moveram o mundo. As notas musicais se tornaram sua voz. E tanto criaram, tantas emoções inspiraram, que se tornaram amados por muitos e muitos.
Revolucionários! Visionários! Extraordinários!
Mesmo assim, ainda eram somente quatro. Quatro mentes. Quatro vozes. Quatro almas. Quaro corações! Inúmeros sentimentos!
Mas a matemática nunca foi estática. Muito menos a vida. E os quatro voltaram a ser um.
Cada um escolheu um caminho diferente e aquele outrora garoto partiu para outras experiências.
E continuou tocando instrumentos variados, vidas inúmeras.
O garoto que se tornara jovem ganhou ares de adulto, de pai, de companheiro, mas nunca foi só isso, porque não nasceu para ser somente isso, veio ao mundo para pertencer ao mundo, doando-se em troca de um verso cantado por desconhecidos talvez, mas que de certa forma são parte do sentimento que ele emana.
Um ser humano claro, mas daqueles que não vivem uma vida comum.
Um ser humano que é amado por tantos e tantos.
Um ser humano que tem um talento indescritível.
Um ser humano que é um ídolo.
Um coração. Um talento. Uma alma. Um amor.
Um garoto que nasceu para emocionar o mundo.
E para isso ele só precisa cantar e tocar.
Eu o conheci há muito tempo e por ele me apaixonei como muitos o fizeram.
E no dia 21 de novembro deste ano, pude estar com ele em uma festa inigualável. Mais uma vez apaixonei-me por ele e como só as pessoas especiais são capazes de fazer, ele mudou a vida de muitas pessoas, fazendo-as mais felizes do que eram.
Chorei, cantei, dancei e fui feliz. Como nunca imaginei.
Assim como milhares junto comigo. Junto com ele. Juntos!
Quem diria que aquele garoto que nasceu em Liverpool poderia, aos 68 anos de idade, provar mais uma vez (se é que ele precisa provar algo) que é um ser humano sim, mas tão especial que parece ser um sonho, daqueles que ele mesmo sonhou por nós!
Ah, o nome desse menino é Paul.
Paul McCartney.
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