Abril 12, 2011

OLHANDO EM VOLTA...


Olho pelas grades da vida e fico imaginando como seria o céu do cotidiano sem os riscos horizontais e verticais que marcam minhas limitações.

Ando pelas ruas e tanta gente esbarra em mim, como se eu fosse invisível ou como se a educação deles tivesse esse “poder” de invisibilidade quando se esquecessem de prestar atenção ao redor do seu próprio nariz.

Escuto os diz-que-me-diz das pessoas incapazes de silenciarem os raios destrutivos de críticas que pensam ser gratuitas, mas que cobram altos valores deixando-os moralmente falidos.

Tomo um café com gosto de requentado, pela simples obrigação de manter uma conversa social, tão ínfima em qualidades e prazer, tão amarga em sua forma de inútil e aguada pela mesmice.

Pisco os olhos e a situação não muda. Pisco mil vezes e o quadro se mantém estético. Canso de piscar e os olhos adormecem, no esgotamento de mais um dia.

Rotina e máscaras são tão cansativas, que me esgotam no faz de conta de uma vida normal.

Talvez por isso a imaginação seja tão açucarada, tão atrativa.

Eu digo que não me deixo prender nessa mesmice, mas em uma rapidez anormal, as aves de rapina aparecem com algemas de compromissos aos quais nunca quis assumir, mas foram jogados pela sociedade quase no meu rosto, ficando com gosto de obrigação incômoda.

Entardeço na inquietude, sem deixar de aventurar-me caçando arco-íris. 

É, sou um ser de outro planeta, outra dimensão, outra vida, sem tantos grilhões. Se precisar, crio o meu próprio universo, lá eu sou feliz e nada em gosto de isopor, cor de creolina ou cheiro de azedume. Lá não tem pessoas sem rostos, vidas sem brilhos, sono sem sonhos. 

Posso até lhe convidar para uma visita, mas prefiro deixar por aí um mapa do tesouro, que crie algum mistério e você possa também se transformar em um aventureiro. Venha assim conhecer o meu mundo perdido, aonde é possível encontrar mais do que o comum, o rotineiro ou cansativo.

Prometo que não vai se arrepender (afinal arrependimento só vale no mundo real).

Mas não se esqueça, no meu mundo não tem chaves, então decifra o enigma ou a vida sem cor irá lhe devorar.

1 comentários:

  1. Sabe, ao ler, meio que me senti como se alguém estivesse traduzindo em palavras o que tenho pensado ultimamente...
    estamos numa sincronia de pensamentos...
    E, devo dizer: como é bom encontrar quem compartilha com vc... :)
    Que a gente consiga encontrar muitos arco-íris...
    Acredito com fé em Deus que conseguiremos... :)

    ResponderExcluir