Abril 06, 2011

PREFIRO ASSIM

Eu não sei realmente o que você quer.

Tudo que me pede, eu faço.

Quando briga comigo e não me deixa dormir, eu fico acordada procurando entender suas razões e na maior parte das vezes, você ganha a discussão, resultando em mudanças de atitudes.

Já lhe perguntei se as outras pessoas sofrem tanta pressão assim, ou sou eu que me preocupo demais com você.

Por mais que você diga que cada um escuta o que quer, imagino como determinadas pessoas dormem mesmo com o blá-blá-blá correndo solto.

Já pensei em não lhe ouvir. Mas acho que não seria eu, se ignorasse seus argumentos.

O interessante é que já vi você mudar as regras dependendo da situação. OK, você analisa cada situação e vê a necessidade do momento, mas ainda acredito que sua conduta deveria ser sempre a mesma.

Por vezes um deslize meu parece ser um absurdo tão intenso quanto um tsunami moral. O mesmo deslize, em outras pessoas, e lá vem você dizer que preciso compreender que aquela pessoa não tem condições de entender a verdade ou ainda não tem estrutura moral para assimilar essa verdade.

Em outros momentos, eu acho quem extrapolei, que falei demais, que errei em pontuar determinados conceitos, mas lá vem você dizendo que era a hora certa. E eu sabia que horas eram? Eu consigo perceber o tempo que o relógio mede, mas nem sempre posso compreender o tempo moral de cada uma das pessoas que cruza o mesmo meridiano em que estou.

Talvez seja essa a maior atração que tenho por você, essa capacidade de analisar as variantes, de somar um mais um, mesmo que o resultado seja três, cinco ou zero. O mais incrível é que o resultado sempre tem sua lógica, nessa ilógica montanha russa emocional que é a vida.

Confesso que sem você minha vida não seria a mesma, sentiria uma imensa falta ao ponto de não saber para onde ir. Mas de vez em quando minha confissão é o desejo que silenciasse por alguns segundos, para que eu pudesse passar por momentos em que preferia não ter que assumir separações ou posições por ouvir você, com suas considerações, provando mais uma vez que não vim a este mundo a passeio.

Um turista da vida certamente não tem você como guia.

Não posso negar que muitas vezes, ao olhar para a vida por trás das grossas lentes do óculos do cotidiano, como se estivesse atrás de uma janela olhando a rua em um dia nublado, é reconfortante sentir como se estivesse ao meu lado, cochichando em meu ouvido que está tudo certo, que eu sei o que estou fazendo e que se tiver dúvidas, você garante essa certeza.

Ao mesmo tempo sei que até você tem dúvidas, perante o quebra cabeça formado de tantas vidas, opiniões, atitudes e decisões.

Lembrando ainda das noites conturbadas, mesmo que você alegue que isso raramente acontece, repito que prefiro que nossas noites sejam de sono tranqüilo, compartilhando sonhos e escutando a respiração aliviada depois de alguma decisão mais difícil.

Hoje, você me diz que precisei passar por tantas coisas ultimamente para que você se fortalecesse. Fico contente por lhe ver tão confiante, já que as apostas que tenho vida na roleta das decisões tem sido bem altas.

Mesmo sabendo que isso ainda não basta, que você lutará sempre em prol do que acredita, levando-me junto nessa batalha, ainda prefiro mesmo assim, ter você ao meu lado, porque quase sempre, nos momentos críticos, é você que me ampara.

E nem pense em me abandonar!

Por isso sugiro um brinde: um salve a você, consciência, para que esteja sempre tão clara como um dia perfeito, ensolarado e repleto de boas energias.


2 comentários:

  1. Lisa, vc tb tem um virginiano em casa?
    in off: este texto parece eu falando com meu marido.
    Nossa é td igual, só muda o CEP.
    é nosso mal necessário. ruim com eles pior sem eles. o que fazer pra mudar um cabeça dura deste jeito? nem precisamos de terapia, nao achas? temos um particular em casa.

    bjo querida!! <3

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  2. Ah, se não tivéssemos essa bendita consciência...

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