Inaugurando crônicas baseadas no Universo Jedi - Star Wars
Parte INão é fácil ser uma Jedi nestes tempos.
Não que antigamente era algo tranqüilo, mas estamos em uma época que o Mal parece erguer-se de maneira sufocante, como se a cada esquina, a cada beco, a cada gruta, a cada canto escuro de todos os planetas você sentisse a presença de algum Sith sedento de mais uma morte em seu caminho.
Meu Mestre costuma dizer que a maldade não tem limites porque não depende de nenhuma regra ou condição, simplesmente existe para destruir. Por isso pode estar em qualquer lugar, em qualquer um e aparecer de maneira mais dissimulada possível.
Eu ainda me lembro da época em que nem imaginava ser uma Jedi. Claro que sempre fui diferente da maioria das crianças a minha volta, mas minha mente estava mais atenta aos problemas do meu antigo lar, da minha família, do povoado onde morávamos, do que com questões filosóficas ou sensitivas.
Desde pequenina eu percebia onde estava o perigo e o evitava. O que não era exatamente o mesmo que meus irmãos faziam, pareciam atraídos por confusões e desastres.
Um deles, especialmente, gostava de problemas. Ele era um problema. Tanto que ignorou o chamado da Força e tornou-se um Sith. Justamente ele que me chamava de geniosa. Foi dele que recebi o apelido de Lhuari, que no meu planeta natal era o nome de uma bonita flor, que nascia rodeada de espinhos afiados. Era um belo espécime nativo, mas que praticamente ninguém colhia já que tinha um mecanismo de defesa que expelia esses espinhos em direção de qualquer coisa que chegasse perto das suas pétalas.
Rinhar, esse meu irmão, dizia que eu era assim, bela e suave, mas que estava pronta para sempre me defender se necessário.
Para me lembrar sempre do perigo que existe no limiar entre o Light Side e o Dark Side que usei o apelido como meu nome como Jedi.
Abdiquei das minhas recordações familiares, menos desse apelido. Deixei o planeta onde estivera meu lar logo depois que quase todos que compunham minha família tinham sido massacrados por meu próprio irmão e segui o Mestre Jedi que me encontrou no meio do que sobrou do ataque, percebendo a Força mantendo-me viva, mesmo muito ferida.
Eu ainda era muito criança, o que me permitiu apagar muitas das imagens desse dia e o amor que conhecia pelo Sith que destruiu meu lar e minha família, mesmo fazendo parte justamente dessa família, impediu que eu cultivasse o ódio por ele.
Claro que o treinamento Jedi ajudou-me a superar completamente essa tragédia, mas uma vez eu disse ao meu Mestre que me parecia que sempre soube que aconteceria algo assim, por isso vivi intensamente os anos em que tive família. Claro que lamentava a morte deles e a destruição do meu lar, mas não consegui manter a mágoa e o ódio por muito tempo, era como se tudo isso tivesse se diluído no meio das boas lembranças.
Às vezes me sentia um tanto quanto estranha por ser assim, mas meu Mestre explicava-me nesses momentos que a Força deve ter me preparado para tudo, como se soubesse que o Mal espreitava meu lar. Sinto saudades de todos e isso me acompanha, como se cada um sentasse ao meu lado de vez em quando, conversando comigo, como nos velhos tempos.
Mas agora não era hora de ficar perdida em lembranças, eu sentia que algum perigo aproximava-se.
Seria melhor avisar aos outros Jedi que seguiam comigo em missão sobre esse perigo para que ficássemos alertas.
Esta tarde não seria nada calma para todos nós...
(continua)