quinta-feira, 8 de outubro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

LHUARI, UMA JEDI - PARTE II

II

- Não, Lhuari, você não está enganada, eu senti também a proximidade do Mal, só não acho que seja necessário mudar nossos planos.

A jovem Jedi aguardou pacientemente que Khandu terminasse seu comentário. Ele falava com extrema lentidão, ao ponto de testar o grau da paciência de quem estivesse conversando com ele. O mais interessante é que sua voz impunha tanto respeito que todos a sua volta sempre se calavam para ouví-lo, mesmo que pensassem em interromper a demorada articulação de cada palavra.

Em contrapartida, nos momentos de luta, não havia alguém mais rápido do que ele nos golpes certeiros e nas defesas perfeitas. Ele nunca precisava de palavras para se comunicar com os que estavam lutando ao seu lado, um simples olhar dele transmitia tudo que era preciso e até o grito de alerta dele era silencioso. Bastava ver alguém em situação de perigo e Khandu conseguia transmitir seu alerta sem emitir nenhum som. Não era uma forma telepática de transmitir a mensagem ou o alerta, era algo além disso, de maneira difícil de se explicar em palavras (obviamente).

- Nem agrupar a todos para que fiquemos em uma posição defensiva mais adequada? – indagou a jovem.

-Não. Cada um siga com o plano que lhe diz respeito. As lutas que enfrentaremos aqui serão individuais e não como um grupo. Os que sobreviverem irão se reagrupar após os embates pessoais.

Lhuari sentiu o sangue gelar a cada palavra do amigo. A última frase, dita com uma entonação grave caiu em seu íntimo como um dose excessiva de adrenalina.

Ela precisou respirar fundo muitas vezes e usar todo seu controle Jedi para não sair correndo, gritando aos amigos que tomassem cuidado, que o perigo era grande e que não deviam esmorecer na luta.

Seu coração diminuiu dentro do peito ao lembrar-se do rosto de cada envolvido nos planos que os trouxeram a este planeta.

O velho Jedi tinha razão. Cada um tinha aqui tarefas diferentes. A dela era sondar o planeta e encontrar um padawan que havia sumido depois da queda de seu Mestre em uma luta nos arredores da cidade aonde ela e Khandu estavam.

Nada sabia sobre as tarefas dos outros Jedi, nem mesmo por onde estavam, todos eles se separaram ao desembarcar da nave.

Somente ela e Khandu ficaram para trás. A receber as orientações sobre a sua missão foi dito para que ela partisse somente após um novo dia amanhecer a contar do momento da chegada.

Era por isso que ela ainda estava no ponto de partida quando sentiu a aproximação devastadora do Mal.

Todos esses pensamentos passaram por ela enquanto o Jedi se pronunciava e parecia que ele ouvira todos eles, porque em seus olhos Lhuari quase conseguiu ver a imagem de cada Jedi que estava em missão.

- Só me resta então seguir minhas orientações e começar minha missão. Espero vê-lo logo caro amigo.

- Mantenha-se vigilante. O Mal espreita abrigado em cada pedra do caminho.

Com esse aviso até desnecessário porque ela podia sentir isso muito bem, Lhuari concentrou-se, respirou fundo, despediu-se de Khandu respeitosamente, pegou seu sabre de luz e partiu para sua missão.

Resta saber quem ela encontraria e se voltaria a ver seus amigos Jedi ou até mesmo o querido Khandu.

(continua)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

LHUARI, UMA JEDI - Parte I

Inaugurando crônicas baseadas no Universo Jedi - Star Wars

Parte I

Não é fácil ser uma Jedi nestes tempos.

Não que antigamente era algo tranqüilo, mas estamos em uma época que o Mal parece erguer-se de maneira sufocante, como se a cada esquina, a cada beco, a cada gruta, a cada canto escuro de todos os planetas você sentisse a presença de algum Sith sedento de mais uma morte em seu caminho.

Meu Mestre costuma dizer que a maldade não tem limites porque não depende de nenhuma regra ou condição, simplesmente existe para destruir. Por isso pode estar em qualquer lugar, em qualquer um e aparecer de maneira mais dissimulada possível.

Eu ainda me lembro da época em que nem imaginava ser uma Jedi. Claro que sempre fui diferente da maioria das crianças a minha volta, mas minha mente estava mais atenta aos problemas do meu antigo lar, da minha família, do povoado onde morávamos, do que com questões filosóficas ou sensitivas.

Desde pequenina eu percebia onde estava o perigo e o evitava. O que não era exatamente o mesmo que meus irmãos faziam, pareciam atraídos por confusões e desastres.

Um deles, especialmente, gostava de problemas. Ele era um problema. Tanto que ignorou o chamado da Força e tornou-se um Sith. Justamente ele que me chamava de geniosa. Foi dele que recebi o apelido de Lhuari, que no meu planeta natal era o nome de uma bonita flor, que nascia rodeada de espinhos afiados. Era um belo espécime nativo, mas que praticamente ninguém colhia já que tinha um mecanismo de defesa que expelia esses espinhos em direção de qualquer coisa que chegasse perto das suas pétalas.

Rinhar, esse meu irmão, dizia que eu era assim, bela e suave, mas que estava pronta para sempre me defender se necessário.

Para me lembrar sempre do perigo que existe no limiar entre o Light Side e o Dark Side que usei o apelido como meu nome como Jedi.

Abdiquei das minhas recordações familiares, menos desse apelido. Deixei o planeta onde estivera meu lar logo depois que quase todos que compunham minha família tinham sido massacrados por meu próprio irmão e segui o Mestre Jedi que me encontrou no meio do que sobrou do ataque, percebendo a Força mantendo-me viva, mesmo muito ferida.

Eu ainda era muito criança, o que me permitiu apagar muitas das imagens desse dia e o amor que conhecia pelo Sith que destruiu meu lar e minha família, mesmo fazendo parte justamente dessa família, impediu que eu cultivasse o ódio por ele.

Claro que o treinamento Jedi ajudou-me a superar completamente essa tragédia, mas uma vez eu disse ao meu Mestre que me parecia que sempre soube que aconteceria algo assim, por isso vivi intensamente os anos em que tive família. Claro que lamentava a morte deles e a destruição do meu lar, mas não consegui manter a mágoa e o ódio por muito tempo, era como se tudo isso tivesse se diluído no meio das boas lembranças.

Às vezes me sentia um tanto quanto estranha por ser assim, mas meu Mestre explicava-me nesses momentos que a Força deve ter me preparado para tudo, como se soubesse que o Mal espreitava meu lar. Sinto saudades de todos e isso me acompanha, como se cada um sentasse ao meu lado de vez em quando, conversando comigo, como nos velhos tempos.

Mas agora não era hora de ficar perdida em lembranças, eu sentia que algum perigo aproximava-se.

Seria melhor avisar aos outros Jedi que seguiam comigo em missão sobre esse perigo para que ficássemos alertas.

Esta tarde não seria nada calma para todos nós...
(continua)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O MELHOR ESTÁ POR VIR...


Interessante analisar que só pensamos em melhor e pior quando as coisas estão ladeira abaixo ou no momento da queda.

Dificilmente pensamos que algo melhor ainda virá quando estamos no topo da montanha, porque a sensação de bem estar nos inunda e faz com que esqueçamos que ainda temos outras montanhas para escalar.

E se voltarmos algum tempo atrás, lembraremos que quando estávamos ao pé dessa montanha que conquistamos, o pensamento era justamente esse: esta é uma das montanhas que escalarei, uma das aventuras que viverei, um dos obstáculos que superarei e uma das minhas muitas realizações.

Isso continua até mais ou menos a metade da escalada, quando começamos a cansar de tentar, quando começamos a acreditar que o esforço que estamos fazendo já é o bastante e aí entramos no processo de acomodação. Nessa hora começa a surgir o pensamento de que devemos aproveitar a conquista alcançada para sossegar e deixar que isso seja suficiente.

E tudo vai bem se não nos mexermos um centímetro sequer do topo dessa montanha. Porque se não escorregarmos, se não olharmos as montanhas em volta, se não admirarmos o muito que poderíamos conquistar se tentássemos, vamos nos cristalizar nesse momento de sucesso com a errônea idéia de que será para sempre.

Quando já aprendemos a lição, chegamos ao topo, festejamos e começamos uma nova jornada, sem temer passar provações da subida, porque sabemos do que somos capazes e que podemos melhorar ainda mais. Sabemos que é muito bom conhecer o topo de outras montanhas, ajudarmos aqueles que estão também na escalada, até ensinar os diversos truques que já aprendemos para facilitar a vida, divertir-se com quem conhece pelo caminho e enriquecer pela quantidade de sorrisos que armazenar dentro de você.

Enquanto não aprendemos, temos muito medo de largar a bandeira com o nosso nome que fincamos em uma conquista de vida. E estagnamos.

Até que a tempestade da renovação derrube-nos do topo da montanha, fazendo-nos cair em si, ralando os joelhos, danificando o ego, quebrando a resistência. Depois disso, só nos resta subir novamente a montanha, o que muitas vezes desperta-nos para uma nova vida.

Algumas vezes até sabemos de tudo isso, mas a subida foi tão íngreme na primeira queda, que parece que esgotamos todo nosso potencial. E mais uma vez congelamos no alto da montanha.

Até que um dia o sol venha forte, aqueça tanto que descongele tudo a nossa volta, fazendo-nos mais uma vez escorregar em direção ao chão.

Machucados, mas um pouco mais experientes, desta vez recomeçamos a subida logo, prometendo a nós mesmos nunca mais estagnar, não esquecer novamente que o melhor ainda está por vir...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

UM PEDAÇO DE PAPEL


Um pequeno pedaço de papel voava pela rua, levado pelo vento brando, mas contínuo.

Ele passou por vários transeuntes, equilibrou-se entre árvores, pulou por cima dos carros, deu alguns rasantes passando por baixo de duas bicicletas. Várias vezes ele pousou, pensando em descanso, mas o vento continuou sua tarefa de limpar as redondezas, atirando-o ao ar novamente.

Ignorado por quase todos, o papel parecia esforçar-se para não cair em alguma poça de água e a sorte foi sua companheira em diversos momentos, tirando-o da morte certa, evitando que afogasse o recado que trazia gravado em si.

Alguns metros ele percorreu, embora parecessem quilômetros.

Até que o vento cansou-se e deixou o papel solto na calçada, ao relento, que ficou à mercê da sua própria sorte.

E contrariando o ditado que depois da tempestade vem a bonança, o pequeno papel viu aproximar-se de si uma imensa fera na sua concepção. Ao contrário da condição de monstro feroz, quem despertou a curiosidade ao ver o papel foi um pequeno cão, farejando nesse papel algum aroma que o agradou.

Para alívio do papel já desesperado, eis que surge o dono do cãozinho, que o impede de abocanhar a vítima feita de celulose.

Observando a cena, outro rapaz de repente se sente compelido a pegar o papel, munido mais com o dever cívico de manter a cidade limpa do que a curiosidade natural do ser humano. E resgata o pedaço já esgotado de papel para jogá-lo no lixo, quando a caligrafia que estava nele pareceu chamar sua atenção como se fosse mágica.

Ele olhou o papel e leu em suas linhas um pequeno verso, que retratava tristeza e solidão. O rapaz gostou do verso e desviou da lata de lixo aonde jogaria o tal papel, seguindo seu caminho coincidentemente na mesma direção de onde veio o aventureiro papel.

Ao reler o pequeno verso, reparou que o papel tinha um tom levemente azulado e com pequenos desenhos florais. Segui mais adiante e tão distraído estava com a sua descoberta, que não viu a jovem levantar-se abruptamente do banco de praça na qual estava descansando, trombando os dois de maneira inesperada.

Tudo foi ao chão... bolsa, cadernos e canetas da jovem... o pequeno pedaço de papel do rapaz... e depois de segundos de espanto, os dois pediram desculpas efusivamente, já que estavam ambos distraídos.

Sendo tão educado quanto podia, o rapaz recolheu os cadernos e canetas da jovem. Ao entregar percebeu espantado que as folhas do caderno dela eram exatamente iguais ao pequeno pedaço de papel e lembrando-se dele, correu os olhos pelo chão, procurando-o.

Ao encontrar, resgatou mais uma vez o fugitivo verso escrito em um teco de folha daquele caderno, provavelmente pela própria jovem que abraçava suas coisas como a querer proteger-se do acaso.

O rapaz sorriu e estendeu o pequeno pedaço de papel para a jovem que se espantou ao ver o verso escrito, reescrito e jogado fora, como se fosse insuficiente para testemunhar a solidão que sentia naquele momento. E sorriu também.

Entre elogios pelo verso, explicações do que acontecera e exclamações de surpresa por essa coincidência, a jovem e o rapaz passaram alguns bons minutos. E parecia que sempre tinham algo a comentar do incidente, o que fez o rapaz a convidar a jovem para um café, o qual ela aceitou.

Depois do café veio a troca de telefones. Depois, um encontro. Em seguida outro. E mais outro. Muitos encontros. Confidências trocadas. O carinho crescendo, o amor surgindo, vidas se entrelaçando, a união, o compromisso, um só caminho para os dois.

Anos e anos se passaram. A tristeza do verso escrito no pedaço de papel não existe mais. Na sala da casa que abriga os dois enamorados, em uma das paredes, um quadro ostenta o tal pedaço de papel, protegido do tempo por um vidro, mantido por perto como um troféu que demonstra como as pequenas oportunidades e coincidências podem ser mais fortes que a tristeza, a solidão, os ventos que levam nossas esperanças pelo mundo afora ou ainda a desatenção da maioria das pessoas à nossa volta.

Em um pequeno papel pode estar escrita uma grande história de amor ou ser um portal que abre um novo caminho, resta-nos observar os pequenos detalhes da vida e descobrir a tal magia que existe nas coisas mais simples do dia a dia.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

AUSÊNCIA













Hoje, eu não estou para a vida,
Fechei para balanço, como dizem por aí.
Resolvi ver meu reflexo no espelho
E buscar reconhecer cada marca,
Cada traço,
Cada sulco,
Cada história,
Marcada em minha memória física.
Queria descobrir quem sou,
De verdade, e não somente o nome que consta no documento,
Que atesta perante todos os juízes,
Que eu sou exatamente aquela pessoa que me parece tão desconhecida.
Eu queria conhecer perante o meu próprio juízo,
Desmistificar as verdades
E aceitar as inverdades.
Gostaria de não ser, simplesmente.
Poder deixar de lado o amargo
Da igualdade que engana,
Que esconde as diferenças,
Que apaga a diversidade
De todos e tantos sentimentos.
Hoje, eu não estou,
Fui para o parque,
Sentar no balanço
E pensar na vida.
Ou pensar na vida que não tenho
E na vida que não quero ter.
Hoje, eu não estou,
Saí por aí,
Quebrando espelhos,
Esquecendo marcas,
Refazendo meus passos.
Hoje, eu não estou,
Fui devolver meus documentos,
Apagar minha memória cotidiana,
Para tentar abortar o que não sou,
E libertar o que existe dentro de mim.
Hoje? Bem, hoje eu não estou.
Venha amanhã, quem sabe eu já terei me encontrado...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

PALAVRA DIZ TUDO...OU NÃO?


Impossível...
Entendi...
Claro...
Sem problemas...
Desculpe-me, eu não pretendia...
Certo, sem mágoas...

Na maioria das vezes essas palavras que não são mais do que isso, letras unidas com um suposto significado, mas que na verdade estão vazias de sentimentos.

Impossível dizer que entendi, claro que compreendo, sem problemas para mim e desculpe-me, eu não pretendia estar sempre certo, sem mágoas... Até dá para formar uma frase coerente, mas que continua não dizendo muita coisa, ou melhor, ocultando tudo que queria dizer.

Além dessas, existem outras palavras que a sociedade emite, mas não sente.

Quantas vezes o “Impossível..” só quer dizer: eu não estou afim de fazer, eu não me acho capaz ou não venha me incomodar com isso !

E o “Entendi...” ? Uma palavra simples, mas que muitas vezes esconde a verdade: não entendo, nem quero, mas para não continuar o assunto, eu finjo que entendi e deixa para lá, vai para o baú dos sentimentos reprimidos até o dia em que a tampa estoure, explodindo em ressentimentos para todo lado.

“Claro...” nem sempre quer dizer que está realmente claro, pode ser uma vaga tentativa de formular um pensamento ao contrário do que foi exposto.

Ah, e o “Sem problemas...”, quão funesto pode ser. No cerne de tal expressão pode estar um magma de dificuldades que irão destruir muita coisa quando o vulcão explodir e verificar-se que tinha muito problema sim, mas a mágoa não deixou espaço para esclarecer essas questões.

“Desculpe-me, eu não pretendia...” Fácil dizer, difícil provar e mais complicado ainda ter certeza de que não havia uma motivação oculta no que foi feito. Mas a sociedade diz que se pediu desculpas, está tudo certo, não importa se essas desculpas não forem verdadeiras.

E nada está realmente “Certo, sem mágoas...” quando as palavras forem zumbis na vida, sem sentimentos, sem realmente quererem viver, sem um significado verdadeiro recheando essa união de letras.

Devíamos aprender a falar e junto recebermos um manual de sentimentos. Devíamos, quando emitíssemos as primeiras palavras, realmente saber o significado delas. Ou melhor, na nossa ingenuidade dos primeiros anos de vida, mantermos essa busca para qual palavra exprime exatamente o que sentimos, sem achar que é para ficar repetindo essas palavras como papagaios humanos.

É possível fazer uma longa lista de palavras ditas ao vento, levadas pela brisa do momento, sem nada além da consistência de folhas de outono, desfalecidas de brilho, cor e função. Essas palavras deveriam levar uma vida nova para os sentimentos, mas na maioria das vezes se transformam em adubo para raízes de mágoas e ressentimentos.

Acredito que o ideal era aprender a falar e manter essa pureza. E só dizer o que realmente sentimos.

Impossível? Você acha?

Eu entendi a dificuldade, você acha que é fácil?

Claro que não!

Sem problemas, podemos tentar juntos.

Desculpe-me, eu não pretendia que você fizesse sozinho, eu também estou nessa lição.

Certo? Sem mágoas guardadas então, as palavra devem expressar o que está em nosso interior.

Nem baús, nem vulcões, nem papagaios, apenas palavras. Verdadeiras.