Um pouco de tudo que vai na minha alma... O que vejo e o que sinto... Fotos e textos By Lisa Sukys
janeiro 16, 2017
O Amanhecer
Resolvi AMANHECER...
Desprender-me do que se foi, dos que se foram, dos que não querem ficar...
Resolvi que é melhor ver aquilo que me toca a alma e disso falar...
Seja a imagem em uníssono ao meu sentimento,
Seja a imagem distante do que sinto,
Seja a experiência de outro, de antes,de momentos que não me pertençam,
Mas que digam algo que eu precise traduzir.
Entendi que não preciso mais poupar minhas palavras,
Já que elas são tão intensas e extensas dentro de mim.
Compreendi que nem todos conseguem. seja a beleza ou a verdade, enxergar,
Melhor então descrever o que a vida tanto quer dizer.
Tantas novas vidas eu já iniciei.
Tantos novos planos eu imaginei,
Tantas foram as mudanças que em tudo se impregnou.
E depois de tudo, o amanhecer.
Que ele venha, que ele mude, que eu mude, que você escolha.
setembro 24, 2016
E a vida segue...
A vida segue...
Mas segue para quem?
Para quem foi ou quem ficou?
Segue para quem não percebeu a partida, não chorou na
despedida e nem mesmo acenou um lenço branco na saída?
Ou segue para quem percebeu o adeus, escutou o último
suspiro, cantou a última canção, abraçou apertado no último instante?
Provavelmente segue para os dois tipos, ou melhor, segue
mais, segue para além dos mais diversos exemplos de verdades pessoais, que sabem quem se vai, que não se esquece, que se
esqueceu e se arrependeu, tantos
maneiras de se ver a vida e seus relacionamentos.
Mas será que segue para quem se foi?
O que parte leva saudade ou deixa as bagagens no canto da
sala da existência?
Vai chorar nas tristezas, festejas as futuras alegrias, fará
parte dos dias futuros ou será somente poeira do passado?
Fica o retrato na estante, fica a foto do instante, fica a
vontade de ser mais do que uma lembrança.
Existe quem fica para sempre, que segue com quem vai em
frente, que faz parte, que lembra que o DNA do sentimento faz parte para toda
vida.
Existe quem desaparece igual fumaça quando o fogo termina,
sobrando talvez o carvão da madeira da existência, que simboliza as cinzas da
vida que se apagou...
E ainda existe quem fará das cinzas uma nova vida, será
adubo de sabedoria, exemplo e emoção que não se esvai, simplesmente se
transmuta nos gestos e pensamentos daqueles que aqui ficarão.
Mas uma coisa é quase que uma unanimidade: tem quem não
queira ir e tem quem não queria que fosse.
Mas a partida é obrigatória, desde o momento que a passagem
de chegada é confiscada pelo tempo, que segue, que testemunha às vezes a
brevidade, às vezes a longevidade.
Mas a vida segue. Para quem lembra, para quem esquece. Para
quem parte, para quem fica.
Cada um contando sua história, olhando pela sua janela,
através dos olhos e de sua consciência.
Melhor então, viver hoje, antes da partida, antes da
despedida.
O depois, o que segue, pertence a pessoas diferentes da que
está hoje seguindo a vida que se segue.
maio 02, 2016
A reviravolta dos Pombos Correio
Em um algum lugar do Universo, nesta ou em outra dimensão...
- Não, definitivamente não vou compactuar com isso, é um
absurdo – esbravejou Buck, enquanto andava de um lado para outro, mal contendo
a sua reprovação.
- Mas por que tanta revolta Buck? É só uma proposta que já
faz tempo que queria colocar em votação. – observou Tash, enquanto observava a
explosão emocional de Buck, tão famoso pela sua conduta tranquila mesmo diante
das piores crises que já enfrentaram.
Tash se mantinha apoiada ao balcão e por nada neste mundo
interromperia a caminhada agitada do Diretor de Despachos. Só queria tentar
entender o porque de tanta revolta.
- Você não consegue entender? Nunca... eu disse NUNCA em meu
comando, o trabalho foi paralisado, e olha que já enfrentei várias catástrofes
naturais, já vi a terra tremer e os prédios caírem, mesmo assim NUNCA paramos o
serviço.
- E o qual foi o resultado? Apenas mais trabalho! Em cada catástrofe
ou problema que você superou e despachou sua equipe para cumprir as missões,
mais ainda ELES ficaram dependentes de nós.
- E qual é o mal nisso? – perguntou Buck, em tom baixo
agora, mas ainda raiovoso, espumando de raiva a poucos centímetros de Tash.
- O mal? Ora, o que sempre falo: ELES não evoluem.
Simplesmente depende de nós em seu mudismo. Somos a voz deles, expressamos os seus
sentimentos, as suas vontades, as duas dúvidas – sem perceber Tash começou a
elevar a voz, enfatizando cada palavra de uma forma que parecia fala com uma
criança desatenta, batendo na mesa a cada frase, o que a fez perder algumas
penas nas batidas.
Buck ignorou as penas voando, as batidas na mesa, o tom de
voz de Tash. Ele só queria continuar o trabalho, adorava o seu serviço, a
rotina, amava ver seus colaboradores erguerem vôo, com as asas abertas. E
queriam tirar isso dele. Absurdo!!!
Lançando um olhar de ódio para Tash e para o relógio no
saguão, ele resolveu guardar o fôlego para expor sua posição na frente do Alto
Conselho, não perderia mais tempo com Tash.
Ele abriu as asas e seguiu em direção ao alto do prédio,
deixando Tash boquiaberta com sua atitude rude e desnecessária. Mas era Buck,
ele sempre achava que podia bater portas, asas ou cabeças, contanto que o
trabalho estivesse em ordem.
Diretor de Despachos. Buck controlava tudo, horário de
saída, quais mensagens levaria cada um dos pombos correios a seu serviço,
mapeava os voos, escolhia rotas e vibrava a cada mensagem entregue.
Tash era a Diretora de Eficiência. Não controlava os voos ou
as mensagens, apenas agilizava para que cada pombo correio tivesse o necessário
para cumprir sua tarefa. Rações extras para viagens longas, reposição de
suporte de mensagens, cuidava até dos aposentos de cada um, para que os pombos
que voltassem de suas entregas pudessem descansar e se recuperar até a próxima
missão.
E de tanto observar o ir e vir, as missões, as mensagens que
cada um carregava, começou a perceber que estavam em um círculo vicioso. Anos e
anos prestando tal serviço e nada mudava. Zero de evolução, apenas rotina e
nada mais.
Era nisso que ela pensava quando chego na Sala de Reuniões
do Alto Conselho. Buck já estava lá claro, agitado e agitando. Todos os
Diretores estavam lá, falando alto e discutindo suas opiniões, em uma
barulheira ensurdecedora.
Tash resolveu esperar. Não ia se cansar em debates inúteis. Mas pouco tempo depois a corneta que anunciava
a chegada do Alto Conselho silenciou o ambiente e todos rapidamente se colocaram
em círculo, ao redor dos três poleiros dourados, que seriam usados pelos
Anciões que compunham o Alto Conselho.
Calmamente os três mais velhos pombos entraram, com sua capa
vermelha cobrindo as penas escassas e trazendo em seus bicos a Trindade da Lei.
Buck amava a Trindade da Lei. As três partes das regras
básicas do clã dos pombos correios estavam registradas em lindas folhas de
papel tão fino quando uma pena de um recém-nascido, escrita em caligrafia antiga
que somente os pombos letrados compreendiam. Toda vez que o Alto Conselho se
reunia, cada Ancião trazia sua parte e exibia pendurada no seu respectivo
poleiro, para o caso de qualquer dúvida que surgisse sobres a Lei. Às vezes os
Anciões apenas reuniam os pombos para reler as regras, mantendo vivas na
memória de cada um.
O primeiro a falar foi o Ancião da Vida, que trazia a parte
da Lei que rege a união perpétua entre os pombos, como deveria ser a criação
dos filhos, como tratar cada pombo desde o seu nascimento até a sua velhice.
- Tash pediu esta reunião, como Ancião da Vida, ofereço a
palavra.
Sem pestanejar Tash se adiantou e colocou-se ao lado do
poleiro desse Ancião.
- Por centenas de anos somos os mensageiros dos humanos.
Recebemos suas mensagens e entregamos a quem de direito. Dia após dia. Sem
cessar, sem mudar. Eu proponho que nosso trabalho não seja mais somente o de
mensageiros. É hora de ensinar aos humanos a se comunicarem por si só.
O silêncio na sala de reunião veio abaixo em um instante.
Parecia que um saco de alpiste havia sido jogado do alto no meio dos pombos que
ali estavam. Uma grande balbúrdia abalou tudo e a todos.
Somente os Anciões ficaram calados. Tash e Buck discutiam
diretamente um com o outro, enquanto o grupo ali reunido se dividia em prós e
contras, sendo que nitidamente os contra eram em maior número.
Não havia acordo, não havia coerência, somente caos e
gritaria.
O segundo pombo membro do Alto Conselho, o Ancião da
Recompensa, que trazia consigo a parte da Lei que rege o que cada um deve
receber durante a Vida, seja de alimento, seja de tarefa, seja de pagamento
pelo serviço prestado. Ergueu um voo meio titubeante, mas certeiro em seu
destino, acertando o sino suspenso acima dos três poleiros dourados.
O silêncio voltou para a sala. Quando O Ancião da Recompensa
se manifestava, ninguém recusava ou reclamava do que estava recebendo. E agora
todos recebiam a ordem do silêncio, emanada pelo som do sino.
- Buck é quem se opõe a idéia de Tash, eu, o Ancião da Recompensa
dou-lhe a palavra.
- Sim, como disse Tash, por centenas de anos somos nós, os
pombos correios, que fazemos a parte de colocar em contato os diversos humanos
que vivem no planeta. Essa é nossa tarefa, desde que nasceu o primeiro pombo
correio, tão honrada e tão importante, que somente a nossa raça consegue
cumprir. Não nascemos para ensinar, isso faz parte da tarefa das corujas,
nascemos para manter a comunicação entre os humanos. Impossível quebrar esse
destino, seria esvaziar o que somos, virar as costas para tudo que fizemos até
hoje.
Muitas asas foram erguidas ao alto, provocando uma ventania
dentro da sala de reuniões, balançando até as três partes da Lei penduradas em
cada poleiro.
- Para toda eternidade? – gritou Tash. Levaremos mensagens
para toda eternidade? O humano nunca irá se comunicar por si só?
Buck inflou o peito e gritou em plenos pulmões:
- Os humanos são mudos!!!!! Não sabem falar. Não se
comunicam!! O que você quer, destruir a humanidade??? Loucura, isso sim,
loucura.
- Eles não falam porque é conveniente, dizem as lendas que
eles falavam antes de por necessidade, resolveram inventar a escrita e os
primeiros pombos correios, tolos e inocentes, se prontificaram a levar suas
mensagens escritas. – retrucou Tash – Está na hora de ensinar novamente aos
humanos a falar e assim, a se comunicarem por si mesmos.
- E o que será de nós? - pergunto Lino, Diretor de
treinamento de Voo.
- Será o que quisermos – respondeu Tash. O que quisermos.
Não servindo, mas criando, inovando ou só voando sem destino.
Buck levou um susto tão grande com essa afirmação da Tash,
que voou para cima dela, asas abertas, como se enfrentassem uma raposa ou um
perigo tão grande que nada mais restava do que atacar.
Os dois se bicaram, gritaram, voaram, até o sangue aparecer
nas penas.
E novamente o terceiro Ancião interveio. Ele voou até o
Grande Tambor e se jogou em direção a ele, fazendo ecoar um estrondoso
rimbombar, tão alto que todos olharam para o velho pombo, acreditando que ele
não resistiria ao choque.
Mas para surpresa de todos, o Ancião do Destino voltou ao
seu poleiro, como se nada tivesse acontecido.
- Por décadas fomos a voz dos humanos. O Ancião da Vida
sabia que não tinha o ensinamento da Eternidade; O Ancião da Recompensa sabia
que podemos colher aquilo que é reflexo de nossas escolhas, mas não tinha o
ensinamento de quando parar de buscar recompensas. E eu, Ancião do Destino, sei
que nós é que nos colocamos nessa situação, mas que um dia chegaria o momento
de decidir, mas não tenho o ensinamento de compreender essa situação. É hora de
mudanças, porque despertou nos corações a dúvida.
Não houve manifestação. Buck abaixou a cabeça, sabedor de
que em sua mente já havia percorrido o pensamento de não saber realmente o que
essas mensagens levavam dentro de si.
Tash chorou. Era isso, as mudanças aconteceriam, mas isso
não quer dizer que ela queria. Era confortável viver assim, pelos outros, viver
por si era uma tarefa muito difícil.
E o Ancião do Destino continuou:
- É hora de mudar o destino. Ao invés de fazer, de levar a
mensagem, ensinaremos o humano a falar.
Se repetirmos as palavras em seu
coração, ele irá querer dizer e não dependerá de outros para expor seus
sentimentos. É hora de olharem uns nos olhos dos outros e descobrirem que não
precisam de nós para chegar até o outro.
- E o que será de nós? – perguntou Buck, com voz quase inaudível.
- Viveremos – respondeu o Ancião da Vida.
- Buscaremos – respondeu o Ancião da Recompensa.
- Encontraremos... a nós mesmos. – completou o Ancião do
Destino.
Dito isso, os três anciões pegaram sua parte da Lei e voaram
tão alto que se transformaram em pontinhos no céu. E lá do alto, soltaram as
três partes da Lei, que foram levadas para longe pelo vento.
E os pombos correios pararam de levar as mensagens. Foram construí
estradas, construir novas cidades, foram viver suas próprias vidas.
E o humanos?
Quando descobriram que não tinham mais pombos para levar
suas mensagens, sentiram-se perdidos por um tempo, mas encontraram Tash que
começou a ensinar aos humanos a falar.
Buck organizou o seu próprio serviço de mensagens, levando
ele mesmo o que os humanos queriam dizer, mas ele era um só para tantos e certo
dia se perdeu no meio de uma tempestade, com a âncora do passado pesando demais
para suas asas. Nunca mais foi visto, porque quem não quer mudar, fica para
trás e se perde na solidão.
E assim extinguiu-se o serviço de pombo correio. Ficou
obsoleto naquele mundo de tantas conversas.
Quem sabe um dia, neste nossa dimensão, também as pessoas voltem
a falar umas com as outras, sem precisar de intermediários para interpretar o
que queremos transmitir, sem artifícios ou disfarces.
Mas se algum dia um pombo correio vier a falar com você,
preste atenção, não escreva uma mensagem, mas divida com ele suas experiências,
enquanto ainda há Vida, enquanto ainda pode receber Recompensas pelo que sentem
e faz e enquanto o Destino não veio cobrar sua participação final.
abril 28, 2016
Sopa de legumes
As pessoas fazem esforços herculanos para demonstrar amor,
outros procuram o mais estrondoso palavreado repleto de adjetivos para definir
o amor e ainda assim, sempre há quem discorde, que não amor não é isso ou
aquilo, sempre falta algo.
Na vivência de décadas, eu entendi que o amor é uma sopa de
legumes. Simplesmente isso.
Proponho que você acompanhe comigo o preparo de uma sopa de
legumes e verá que tenho razão.
Na minha receita de sopa de legumes, vão alguns ingredientes
(não só legumes como o nome diz – para você ver como não podemos nos ater a
superficialidade nem na sopa, nem no amor), anotem:
1 - algumas batatas e cenouras.
No amor, é necessário saber que existirão momentos comuns em
que a monotonia ou a mesmice não pode imperar, mas sim encorpar a vida (ou o
caldo). Não se pode desesperar com receio do cotidiano estragar o amor, assim
como não se pode achar que meras batatas e cenouras são descartáveis e sem
importância.
A batata da sopa é a base e nenhum amor resiste ao vento das
mudanças se não tiver uma base, um bom relacionamento.
Mas mesmo a base pode mudar de tempos em tempos, de panela
em panela de sopa. A batata pode ser muito bem substituída pela mandioca, assim
como o jantar da terça feira pode se transformar em um jantar romântico,
somente trocando a luz das lâmpadas, por luz de velas. Uma simples
substituição, mas mantendo o princípio, faz da batata de base, ser o
diferencial de sabor e a troca das luzes, um toque de carinho no amor.
E como amor não é só conjugado por um casal, a batata do
amor entre irmãos, amigos, parentes, pode ser valorizada também, trocando a
mensagem de texto pelo aplicativo por um telefonema ou então um convite de
surpresa para ver um filme no cinema.
Já a cenoura dá cor a sopa, assim como um simples “tenha um bom dia” para quem ama, pode colorir
o dia e renovar as forças e a boa sensação (tanto na sopa como no amor).
Importante lembrar que é a cenoura como dizem no popular ajuda a visão e o amor
ajuda a ver no futuro uma vida melhor.
2- uma boa quantidade de mandioquinha e abobrinhas.
Nada melhor do que mandioquinha para dar substância em uma
sopa, por isso não esqueça de acrescentar carinho e atenção em seus relacionamentos. Uma amizade
sem cuidado, um amor sem atenção, pais e filhos que não se preocupam uns com os
outros, esvaia a vida, assim como a falta da mandioquinha na sopa esvazia o
prato.
Mas claro que não podemos esquecer-nos das abobrinhas,
afinal a sopa como o amor precisa de abobrinhas, de leveza, de bom humor. Sem boas risadas no amor e algo leve na sopa,
tudo fica mais difícil.
3- o que você tiver de legumes na geladeira ou os legumes
que você mais gosta.
Sopa é uma alquimia, você transforma os legumes em algo que
alimenta, aquece, alegra. Amor é uma pedra filosofal que transforma tudo que
vivemos em algo melhor, mas é importante ter um toque de boa vontade e magia em
si.
Você pode colocar o que gostar de legumes em sua sopa, eles
se unirão a base, a substância e a leveza que precisa. Basta gostar ou
encontrar na geladeira os ingredientes que transformaram um caldo em uma
reconfortante sopa.
Você deve colocar no amor os seus sonhos, o seu
comprometimento, o respeito, a sabedoria para os momentos mais delicados, para
as escolhas, para transmutar sua vida e a de quem ama, em bons momentos, que fortalecerão
quando o caminho ficar mais árduo.
4- temperos.
Com certeza não pode faltar temperos na sopa de legumes, que
devem ser dosados para não estragar a sopa e escolhidos de acordo com o gosto
de quem vai saborear a sopa. Tudo depende muito do paladar.
No amor, os temperos são passeios, agrados, pequenos gestos,
companheirismo, diálogo. Não devem faltar, devem ser dosados para não exagerar
e sempre termos o cuidado de pensar no outro, porque não adianta ser ótimo para
nós e péssimo para o outro. Tudo depende
de quanto se quer amar.
Se for uma sopinha de legumes feita na correria, talvez
perca sabor ou você se esqueça de algo importante.
Se for um amor descuidado, perde sua caraterística e se
transforma em sentimento vazio, desagrada e entristece.
5- Por fim, o seu toque de mestre.
Todo mundo tem seus segredinhos nas receitas que faz, ou até
pode ser a mesma receita, mas de cada um sai de um jeito. Por isso a sopa de
legumes de alguém pode parecer um manjar dos deuses e em contrapartida, tem
gente que não consegue fazer uma boa sopa, às vezes só porque não está curte
fazer sopas ou não é seu melhor dia.
E todos nós temos um jeito de ser, fazemos o nosso esforço
para termos uma vida boa, mas amar é mais do que isso, às vezes o que pensamos
que é amor é só uma paixonite ou não sentimos aquele amor que a sociedade nos
obriga a ter só por algum familiar, afinal pode existir tantas diferenças que
nos afastam e transformam o amar em um gostar, ou apenas um respeitar. O amar é algo maior do que o gostar, envolve
dedicação, envolve atenção, envolve dedicação, é um sentimento mais completo,
maior, mais forte.
Não se preocupe se não gosta de sopas de legumes, pode fazer
sua sopa também de itens diferentes, de acordo com o que acredita ser mais saboroso.
Mas se preocupe se o seu amor não envolve uma boa base,
cuidados, risos, dedicação, verdade e certeza, Pode não ser amor.
Ah, e dividir o seu prato de sopa, quentinho e
reconfortante, e bem melhor.
Não esqueça que amar envolve mais de uma pessoa, lembre-se
que o seu prato não pode estar cheio e o da outra pessoa ficar vazio, divida
sua sopa e sua vida com quem ama e seja feliz.
abril 25, 2016
Um dia talvez...
Não entendo você, que conhece a minha palma, duvidar da
minha alma.
Esquece as dores, esconde as tintas para que eu desista das
cores, vivendo o cinza, o preto e o branco.
Ilude meus sentidos, com promessas e vazios. Diz que vai
passar, mas sabe que vai durar.
Não contei meus segredos, fiz deles verso e prosa, para
enganar quem me vê, quem escuta sem ter a audição da sensatez, quem ignora por
ser mais fácil, que vira de costas sorrindo que eu vi.
Não compreendo suas palavras, soltas ao vento, prefiro
carpir o terreno do que cultivar flores artificias
nos seus vasos do comodismo.
Já disseram que sou heroína, já fui tingida de santa, me
fizeram altar. Desci rápido, meus pés não se encaixaram nos sapatos que me
deram, não consegui para caminhar de maneira diferente das pegadas que deixei.
Acreditei na minha bondade, mas você achou bobagem.
Acreditei nos laços, você desatou todos, fazendo nós que ainda não sei como
desfaço.
Sonhei dias melhores e contei no seu ouvido, mas seu coração
não acalentou, falando que essa vontade passaria, que tudo é apenas aquilo que
se vê.
Enquanto isso, você viveu esses mesmos sonhos, roubados da
minha esperança, sem ao menos permitir meus direitos autorais, afinal eu bem
sabia como deveria ser feliz.
Eu não fui, passei meu tempo lutando, quando não era
necessário. Fiz por todos, acreditei que era melhor assim, hoje não sei mais,
perdi a sabedoria se é que um dia eu a tive, troquei por dúvidas, guardei os
livros nas prateleiras, fechei a porta, esqueci.
Já não sei quem me olha no espelho, mas acredito que você
sabe, no fundo sabe, quem eu sempre fui.
Eu acreditei ser, você não acreditou em mim. Fiz o melhor,
mas parece que você achou que era pouco.
Resta sempre uma flor para se colher, talvez a cultive para
alguém que a mereça, ou até para você.
Fica a certeza que a semente foi minha e por isso leva meu
perfume, mesmo que você negue, seguirei com você para sempre, já que sou parte
da vida que rodeia sua existência.
Eu sou. Assim como você é. Não esqueça que ninguém é
plenamente feliz, se não emprestar essa felicidade para o outro.
Enquanto reconstruo meu dia, espero que seja feliz, quem
sabe assim um dia eu também possa ser. Ou quem sabe todos nós possamos entender
uns aos outros, um dia talvez.
janeiro 29, 2016
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