abril 13, 2017

Pela Paz

Todo pensamento de mão única cria consequências negativas, mesmo nascendo de uma ideia válida.

É necessário que a ideia seja ampliada de acordo com todas as vertentes da vida, querer que o seu grito de protesto ou de suposta mudança seja unilateral é castrador, tendo resultado oposto ao desejado.

Não adianta soltar um pássaro da gaiola em um céu de aves de rapina, é necessário buscar um ambiente adequado para que a ideia revolucionária provoque liberdade e justiça, não somente guerras e dores.

Quem acredita que para mudar o mundo precisa primeiro fazê-lo sangrar, é tão algoz quanto o carrasco que recrimina.

Mudanças são absurdamente necessárias, assim como árvores frutíferas, mas não plante um campo de plantas venenosas esperando que flores e respeito nasçam de uma semente errada.

Escolha os seus caminhos, mas não bloqueie o caminho dos outros, cada um tem sua estrada e o seu tempo a seguir.

Não construa sua casa onde está sediado o seu caráter em cima de atitudes negativas ou com tijolos constituído pela infelicidade alheia, ela não suportará o vento da verdade e da justiça.

Não faça da agressão a sua religião, não existe santo nessa crença, não existe verdade na oração que sai de um coração que não sente piedade ou não perdoa.


Lute pelo que acredita, mas acredite na paz.


março 20, 2017

Estrada de Tijolos Amarelos






Já descobri faz tempo que seguir na estrada de tijolos amarelos é muito mais prazeroso do que andar pelas ruas de asfalto da realidade.

Sonhar,
Tanto quanto for possível
É voar, além das asas,
É cantar, além do som,
É viver, além dos dias.

A vida sim é feita de realidade, mas porque não adoçá-la com umas boas pitadas de chocolate de Willy Wonka ou ainda com as guloseimas do chá do Chapeleito Louco?

Viver,
Como for possível,
Mas não temer o impossível.
Construir os laços e as pontes,
Respirar o ar da plenitude,
Em segundos, dias ou anos.

Afinal, o que é pleno em nossas vidas? A úncia coisa que existe em qualquer momento é o sentimento, basta saber que não precisa de uma varinha de condão para descobrir o que vai no coração.

Sentir,
Da maneira que for possível,
Aprendendo com cada sentimento.
Amar, gostar, desgostar, perdoar, esquecer,
Tudo é parte do mesmo querer.

Claro que o Amor é mais do que um romance no mês de novembro, é um vento que leva embora as dúvidas, são os degraus do Moulin Rouge, é a força de uma vida que se renova.

Renovar,
Sempre é possível,
Nem que precise jogar fora todo o passado,
Encontrar a vontade,
Olhar no espelho e reconhecer um novo eu.

Ser alguém, sem máscara de ferro, sem prisões em castelos encantados, mas encantando-se com os castelos de possibilidades que existe dentro de cada um.

E acreditar que existe a Magia,
Que tudo é possível,
Porque existe você e um universo de chances de ser feliz.
Então siga, pela estada de qualquer cor,
Mas siga sabendo que seu destino é aquilo que desejar.
Só depende de você








março 07, 2017

Permita que a Beleza Exista em Você.


Vem beleza, desvanece aquilo que nubla a visão.
Permita enxergar além, mesmo entre lágrimas e dúvidas.
Mas não tire do caminho a cor acinzentada ou a mais escura, só a faça brilhante.
Que decore e não ignore.
Que explique e não esconda.
Que simplifique e não isole.
Não precisa ver a beleza para saber que ela existe,
Nem descrever o que ela é, para que seja verdadeira.
Tantas formas, tantas maneiras de ver,
Porque seria somente uma só a maneira certa?
Ser belo é ser bom simplesmente.
Deixar a sensação de bem estar, de paz consigo mesmo.
O barulho da chuva, a flor colorida, a montanha imponente, o riso de uma criança.
A tela que o artista criou, as palavras que se uniram para transmitir, diversificar.
Nem por isso a beleza é única ou limitada.
Assim somos nós, tão belos quanto conseguimos ser,
Não pelo olhar reconhece, mas pelo que demonstramos.
Olho para o mundo e por vezes esqueço do que estou vendo,
Beleza faça com que eu lembre de você,
Permita que eu colabore,
Elabore,
Sem definir, sem limitar.
Tira dos meus olhos a sua ausência e a minha prepotência,
De ser o dono dessa beleza, dessa verdade, desse destino.
O bom, o belo, pertence a todos.
Não custar fazer por merecer.


fevereiro 22, 2017

Eu volto!


Espera, eu volto logo.
Vou até ali, descobrir quem sou.
Dar uma volta na vida,
Dobrar a esquina da esperança,
Renovar o visto de humanidade,
Criar um plano de um novo eu.
Mas não vá embora, fique um pouco mais,
Tome um chá de tranquilidade,
Desfrute da paisagem,
Porque logo mais estarei de volta.
Talvez daqui um segundo,
Quem sabe algumas horas,
Ou eu tire um ano de mim.
Mas eu volto.
Pode ser que não me reconheça,
Pode ser que não seja quem você esperava ver,
Mas acredite, sou eu, sempre fui, sempre serei.
Talvez com uma maturidade diferente,
Ou uma jovialidade irreconhecível.
Trarei meu antigo eu na bagagem,
Com memórias e pertences
De todas as fases em que já estive.
E então comemoraremos um novo início,
Um recomeçar constante.
Poderemos rir,  chorar ou simplesmente silenciar.
Se quiser abraços, lá estarei.
Se quiser somente me conhecer, sente-se e conversaremos.
E se preferir ir embora, entenderei.
Mas espera, não desista, eu voltarei.
E daí em diante tudo será novo,
Com a roupagem do que já passou,
Com a coragem de quem entende que precisa mudar.
Espera, volto logo.
E depois, se você quiser mudar,
Ficarei aqui também, a lhe esperar.

fevereiro 08, 2017

Ontem passou...


Por que se preocupar com o que já passou?

Com o dia que terminou...

Com a oportunidade que perdeu...

Com o amor que acabou...

Com o sonho que morreu...

Se não pode corrigir, se não pode desfazer, sempre é possível transformar.

Aproveitar a noite que chegou,

Aprender esperando novas chances,

Buscar um novo amor,

Encontrar dentro de você razão para voltar a sonhar.

Lamentamos muito, vivemos pouco.

Com medo no olhar, não conseguimos ver a beleza de novas experiências.

Com o medo no coração, não é possível construir o dia de hoje,

Muito menos idealizar um novo porvir.

O que já passou tem as cores acinzentadas,

Não possui mais o pulsar da vida,

Faz parte da bagagem,

Mas não é  mais passagem.

É importante, sem ser vital,

É parte do que somos, mas não tudo que seremos.

Aceite, assimile, vivencie.

Mas não faça disso um entrave, 

Hoje será sempre um novo dia,

Aproveite, experimente, invente.

Não se preocupe, se ocupe.

Viva.

Hoje.







fevereiro 03, 2017

Naquele lugar



Ele estava lá.
E também não estava.
O lugar vazio mostrava a sua ausência, mas de alguma forma também apontava a sua presença em dias passados.
Afinal, ele que preparou aquele lugar.
Cultivou a grama, plantou as flores, escolheu o banco.
Percebeu que lá havia sombra nos momentos de sol forte, frescor em contrapartida ao calor.
E havia luz, muita luz, ao longo dos dias.
De noite ele preferia a penumbra do lugar.
O lugar era ele, ou pelo menos parte dele.
Lá estavam os seus pensamentos, os seus planos, as suas dúvidas.
Foi ali que percebeu que estava apaixonado, que recebeu a notícia que seria avô, no mesmo lugar em que descobriu que queria ser pai.
Lá esteve seu melhor companheiro, o seu amigo peludo e foi lá que ele partiu, no seu colo, com suas lágrimas, com sua saudade.
Sempre que precisava, era lá que ele se encontrava.
Ou se perdia, em pensamentos, em leituras, em descanso.
Se alguém o procurasse e não estivesse a vista, sabiam que lá ele estaria.
Um ponto seguro, um banco, um pouco de natureza, um lugar calmo e tranquilo.
Um lugar para os seus risos e tristezas, para o seu momento sozinho consigo mesmo, ou mesmo rodeado por tantos queridos que lá já passaram.
E ela sabia disso. Por isso era lá que ela foi procurá-lo quando ele partiu.
Sabia que ele não estaria lá.
Mas ele estaria lá.
Ela sentou no banco, olhou ao redor, passou a mão suavemente onde ele estaria sentado se estivesse com ela.
E suspirou.
E chorou.
Sorriu.
Ela sabia que tinha que se despedir.
Tinha que dizer adeus, mas preferia um até logo.
Quando a saudade fosse imensa, ela voltaria lá, como ele voltava para relembrar de quem tinha partido antes dele.
E ele estaria lá.
Na verdade estaria dentro do coração dela, mas para que ela pudesse continuar, deixaria esse coração naquele banco, esperando o momento do reencontro.
E assim que ela se levantou, a lágrima secou embora ainda as tivesse dentro de si.
Ele não estava mais lá.
Mas ela sabia que ele sempre estaria por lá.

Naquele banco, naquele lugar, naquele coração.

janeiro 30, 2017

Contraponto



O que esperar do futuro?
Um mundo cinza,
Um mundo de sonhos,
A realidade concreta,
A esperança esvanecente?
Nem sempre o que encontramos
Está de acordo com o que desejamos,
Um contraponto,
Caminhos opostos
Ou apenas paralelos?
O desejo vem do que imaginamos,
A realidade vem do que somos,
Melhor não esperar,
Melhor conquistar,
Dia a dia, passo a passo,
No ritmo do compasso
Do que nos faz bem,
Do que espalha o bem.
Haverá reviravoltas,
Mas quem nunca deu volta
Até atingir o seu destino?
Importa saber aceitar
E mudar.
Nem que seja os ares,
Ou os lugares.
Não espere então,
Construa.
Não se desespere,
Modifique.
Não esqueça,
Nem desapareça.
Não seja nuvem,
Não seja concreto,
Seja eterno!

janeiro 27, 2017

Pedro, Bem Vindo


Perfeição.
Um momento, um segundo.
Um olhar.
Não precisa dizer,
Nem contradizer,
Somente viver.
Hoje, um nascimento,
Amanhã uma vida plena,
Entre um e outro dia,
Um universo de possibilidades.
Quem dera eu soubesse
Qual é o futuro que acontece,
Só sei o que desejo, isso basta agora.
Desejo que a vida traga amor,
Que o amor traga saúde,
Que a saúde traga paz,
Que a paz traga plenitude.
Hoje, uma verdade,
Tão esperado você era,
Amanhã uma canção,
Sua vida se tornará.
Leve o tempo que precisar,
Cresça, aprenda, agradeça,
Não esqueça de amar.
Hoje, um menino,
Um irmão, um filho,
Seja bem vindo com um sorriso.
Amanhã, um homem.
Uma alma repleta,
De tudo que buscar.
Hoje, você,
Para sempre, Nós.


Foto by Eduardo Sukys


janeiro 24, 2017

As Pedras do Caminho


Não tenha medo dos obstáculos, nem das pedras em seu caminho, elas representam aquilo que precisa aprender.

Por vezes são suas dúvidas, algumas são feitas de lágrimas, outras você nem lembra porque existem.

Muitas dessas pedras são pessoas, por incrível que pareça, pessoas com coração de pedra, com alma concreta, com palavras pontiagudas, com atitudes endurecidas.

Algumas são tão pequenas que só nós percebemos, sentido a sua presença a cada passo. Outras são tão visíveis que os que estão a nossa volta reconhecem como obstáculos, embora alguns desdenhem ou tentem pintar com tinta invisível.

Mas se observar bem, as pedras do caminho também tem a sua beleza e algumas nos fazem crescer tanto, que até se transformar em amuleto.

E se olhar mais de perto, no meio de tantas pedras, pode vir a nascer uma linda flor, aquela que semeia com a perseverança, alimenta com a coragem e poda com o discernimento.

Alguns chutam o problema para longe, mas as pedras rolam e retornam ao seu caminho, afinal por mais esperto que a pessoa acredita ser, a vida é mais inteligente e sabe que mais cedo ou mais tarde cada um terá que passar pelo aprendizado necessário.

Mas o que ganhamos com tudo isso? Com esses ensinamentos? Com essas lições?

O Paraíso sem nada para fazer a não ser fica a toa observando o horizonte? Fortunas que comprarão inúmeros bens que nunca conseguirão abastecer o vazio interior? Status de faz de conta, que engana dizendo que você é melhor que os outros, mas na verdade é tão pequeno que precisa de pedestais efêmeros para se sentir superior?

Não, as pedras do caminho não trazem essas supostas conquistas que não compram saúde, amor, paz de espírito ou o respeito das outras pessoas.

Elas são pedras, são do caminho, mas são também os seus limites, vencê-las, superar a si mesmo, traz tudo aquilo que ninguém consegue comprar, roubar, trocar ou lhe dar: elas trazem a felicidade.

Felicidade de superar, de ser melhor do que as mesquinharias da vida, de amar sem pedir nada em troca, de saber que sempre tem alguém por você, que você nunca será realmente sozinha, que você é capaz, independente de dinheiro, de diploma, de roupas, de status.

Supere suas pedras do caminho, guarde algumas de lembrança, mas acima de tudo diga obrigada a cada passo que consegue dar no caminho, essa conquista é sua e nada no mundo tira de você as pedras que você superou.


janeiro 17, 2017

VIDA


Vida.
Efêmera, ilusória, plena, pouca, longa, imprevisível Vida.
Lutamos tanto, sem necessidade, sem verdade, sem idade,
Tentamos conquistar, quando deveria ser só aproveitar cada dia.
Ao primeiro respirar até o último expirar,
Temos e somos o que vivemos,
Precisamos aquilo que recebemos,
Desejamos o que está longe
E esquecemos que o sonho era ser feliz, não ser dono da felicidade.
A Vida não nos escolhe, nós que escolhemos como viver
Porque então reclamamos?
Quando ela se vai, vira preciosa,
Melhor então reconhecer o tesouro e valorizar cada momento.
Reter na lembrança, repetir no coração, absorver na alma.
Sim, ela pode ser triste.
Ela pode ser injusta.
Ela pode ser curta.
Ela pode ser centenária.
A Vida porém, prefere ser esperança.
Não nos pertence, mas tentamos manipulá-la ao nosso prazer,
Até que ela se despede e fica a pergunta: por que não vivi tanto quanto deveria?
Aproveita, ela está ao seu lado,
Não esquece aquela que já se foi, mas agradece sua passagem.
E quando partir, tenha certeza que da Vida, o melhor segue com você,
Para onde você for.

janeiro 16, 2017

O Amanhecer


Resolvi AMANHECER...

Desprender-me do que se foi, dos que se foram, dos que não querem ficar...

Resolvi que é melhor ver aquilo que me toca a alma e disso falar...

Seja a imagem em uníssono ao meu sentimento,

Seja a imagem distante do que sinto,

Seja a experiência de outro, de antes,de momentos que não me pertençam,

Mas que digam algo que eu precise traduzir.

Entendi que não preciso mais poupar minhas palavras,

Já que elas são tão intensas e extensas dentro de mim.

Compreendi que nem todos conseguem. seja a beleza ou a verdade, enxergar,

Melhor então descrever o que a vida tanto quer dizer.

Tantas novas vidas eu já iniciei.

Tantos novos planos eu imaginei,

Tantas foram as mudanças que em tudo se impregnou.

E depois de tudo, o amanhecer.

Que ele venha, que ele mude, que eu mude, que você escolha.




setembro 24, 2016

E a vida segue...

A vida segue...

Mas segue para quem?

Para quem foi ou quem ficou?

Segue para quem não percebeu a partida, não chorou na despedida e nem mesmo acenou um lenço branco na saída?

Ou segue para quem percebeu o adeus, escutou o último suspiro, cantou a última canção, abraçou apertado no último instante?

Provavelmente segue para os dois tipos, ou melhor, segue mais, segue para além dos mais diversos  exemplos de verdades pessoais, que sabem  quem se vai, que não se esquece, que se esqueceu e se arrependeu,  tantos maneiras de se ver a vida e seus relacionamentos.

Mas será que segue para quem se foi?

O que parte leva saudade ou deixa as bagagens no canto da sala da existência?

Vai chorar nas tristezas, festejas as futuras alegrias, fará parte dos dias futuros ou será somente poeira do passado?

Fica o retrato na estante, fica a foto do instante, fica a vontade de ser mais do que uma lembrança.
Existe quem fica para sempre, que segue com quem vai em frente, que faz parte, que lembra que o DNA do sentimento faz parte para toda vida.

Existe quem desaparece igual fumaça quando o fogo termina, sobrando talvez o carvão da madeira da existência, que simboliza as cinzas da vida que se apagou...

E ainda existe quem fará das cinzas uma nova vida, será adubo de sabedoria, exemplo e emoção que não se esvai, simplesmente se transmuta nos gestos e pensamentos daqueles que aqui ficarão.

Mas uma coisa é quase que uma unanimidade: tem quem não queira ir e tem quem não queria que fosse.

Mas a partida é obrigatória, desde o momento que a passagem de chegada é confiscada pelo tempo, que segue, que testemunha às vezes a brevidade, às vezes a longevidade.

Mas a vida segue. Para quem lembra, para quem esquece. Para quem parte, para quem fica.
Cada um contando sua história, olhando pela sua janela, através dos olhos e de sua consciência.
Melhor então, viver hoje, antes da partida, antes da despedida.


O depois, o que segue, pertence a pessoas diferentes da que está hoje seguindo a vida que se segue.

maio 02, 2016

A reviravolta dos Pombos Correio

Em um algum lugar do Universo, nesta ou em outra dimensão...

- Não, definitivamente não vou compactuar com isso, é um absurdo – esbravejou Buck, enquanto andava de um lado para outro, mal contendo a sua reprovação.

- Mas por que tanta revolta Buck? É só uma proposta que já faz tempo que queria colocar em votação. – observou Tash, enquanto observava a explosão emocional de Buck, tão famoso pela sua conduta tranquila mesmo diante das piores crises que já enfrentaram.

Tash se mantinha apoiada ao balcão e por nada neste mundo interromperia a caminhada agitada do Diretor de Despachos. Só queria tentar entender o porque de tanta revolta.

- Você não consegue entender? Nunca... eu disse NUNCA em meu comando, o trabalho foi paralisado, e olha que já enfrentei várias catástrofes naturais, já vi a terra tremer e os prédios caírem, mesmo assim NUNCA paramos o serviço.

- E o qual foi o resultado? Apenas mais trabalho! Em cada catástrofe ou problema que você superou e despachou sua equipe para cumprir as missões, mais ainda ELES ficaram dependentes de nós.

- E qual é o mal nisso? – perguntou Buck, em tom baixo agora, mas ainda raiovoso, espumando de raiva a poucos centímetros de Tash.

- O mal? Ora, o que sempre falo: ELES não evoluem. Simplesmente depende de nós em seu mudismo.  Somos a voz deles, expressamos os seus sentimentos, as suas vontades, as duas dúvidas – sem perceber Tash começou a elevar a voz, enfatizando cada palavra de uma forma que parecia fala com uma criança desatenta, batendo na mesa a cada frase, o que a fez perder algumas penas nas batidas.

Buck ignorou as penas voando, as batidas na mesa, o tom de voz de Tash. Ele só queria continuar o trabalho, adorava o seu serviço, a rotina, amava ver seus colaboradores erguerem vôo, com as asas abertas. E queriam tirar isso dele. Absurdo!!!

Lançando um olhar de ódio para Tash e para o relógio no saguão, ele resolveu guardar o fôlego para expor sua posição na frente do Alto Conselho, não perderia mais tempo com Tash.

Ele abriu as asas e seguiu em direção ao alto do prédio, deixando Tash boquiaberta com sua atitude rude e desnecessária. Mas era Buck, ele sempre achava que podia bater portas, asas ou cabeças, contanto que o trabalho estivesse em ordem.

Diretor de Despachos. Buck controlava tudo, horário de saída, quais mensagens levaria cada um dos pombos correios a seu serviço, mapeava os voos, escolhia rotas e vibrava a cada mensagem entregue.
Tash era a Diretora de Eficiência. Não controlava os voos ou as mensagens, apenas agilizava para que cada pombo correio tivesse o necessário para cumprir sua tarefa. Rações extras para viagens longas, reposição de suporte de mensagens, cuidava até dos aposentos de cada um, para que os pombos que voltassem de suas entregas pudessem descansar e se recuperar até a próxima missão.

E de tanto observar o ir e vir, as missões, as mensagens que cada um carregava, começou a perceber que estavam em um círculo vicioso. Anos e anos prestando tal serviço e nada mudava. Zero de evolução, apenas rotina e nada mais.

Era nisso que ela pensava quando chego na Sala de Reuniões do Alto Conselho. Buck já estava lá claro, agitado e agitando. Todos os Diretores estavam lá, falando alto e discutindo suas opiniões, em uma barulheira ensurdecedora.

Tash resolveu esperar. Não ia se cansar em debates inúteis.  Mas pouco tempo depois a corneta que anunciava a chegada do Alto Conselho silenciou o ambiente e todos rapidamente se colocaram em círculo, ao redor dos três poleiros dourados, que seriam usados pelos Anciões que compunham o Alto Conselho.

Calmamente os três mais velhos pombos entraram, com sua capa vermelha cobrindo as penas escassas e trazendo em seus bicos a Trindade da Lei.

Buck amava a Trindade da Lei. As três partes das regras básicas do clã dos pombos correios estavam registradas em lindas folhas de papel tão fino quando uma pena de um recém-nascido, escrita em caligrafia antiga que somente os pombos letrados compreendiam. Toda vez que o Alto Conselho se reunia, cada Ancião trazia sua parte e exibia pendurada no seu respectivo poleiro, para o caso de qualquer dúvida que surgisse sobres a Lei. Às vezes os Anciões apenas reuniam os pombos para reler as regras, mantendo vivas na memória de cada um.

O primeiro a falar foi o Ancião da Vida, que trazia a parte da Lei que rege a união perpétua entre os pombos, como deveria ser a criação dos filhos, como tratar cada pombo desde o seu nascimento até a sua velhice.

- Tash pediu esta reunião, como Ancião da Vida, ofereço a palavra.

Sem pestanejar Tash se adiantou e colocou-se ao lado do poleiro desse Ancião.

- Por centenas de anos somos os mensageiros dos humanos. Recebemos suas mensagens e entregamos a quem de direito. Dia após dia. Sem cessar, sem mudar. Eu proponho que nosso trabalho não seja mais somente o de mensageiros. É hora de ensinar aos humanos a se comunicarem por si só.
O silêncio na sala de reunião veio abaixo em um instante. Parecia que um saco de alpiste havia sido jogado do alto no meio dos pombos que ali estavam. Uma grande balbúrdia abalou tudo e a todos.
Somente os Anciões ficaram calados. Tash e Buck discutiam diretamente um com o outro, enquanto o grupo ali reunido se dividia em prós e contras, sendo que nitidamente os contra eram em maior número.

Não havia acordo, não havia coerência, somente caos e gritaria.

O segundo pombo membro do Alto Conselho, o Ancião da Recompensa, que trazia consigo a parte da Lei que rege o que cada um deve receber durante a Vida, seja de alimento, seja de tarefa, seja de pagamento pelo serviço prestado. Ergueu um voo meio titubeante, mas certeiro em seu destino, acertando o sino suspenso acima dos três poleiros dourados.

O silêncio voltou para a sala. Quando O Ancião da Recompensa se manifestava, ninguém recusava ou reclamava do que estava recebendo. E agora todos recebiam a ordem do silêncio, emanada pelo som do sino.

- Buck é quem se opõe a idéia de Tash, eu, o Ancião da Recompensa dou-lhe a palavra.

- Sim, como disse Tash, por centenas de anos somos nós, os pombos correios, que fazemos a parte de colocar em contato os diversos humanos que vivem no planeta. Essa é nossa tarefa, desde que nasceu o primeiro pombo correio, tão honrada e tão importante, que somente a nossa raça consegue cumprir. Não nascemos para ensinar, isso faz parte da tarefa das corujas, nascemos para manter a comunicação entre os humanos. Impossível quebrar esse destino, seria esvaziar o que somos, virar as costas para tudo que fizemos até hoje.

Muitas asas foram erguidas ao alto, provocando uma ventania dentro da sala de reuniões, balançando até as três partes da Lei penduradas em cada poleiro.

- Para toda eternidade? – gritou Tash. Levaremos mensagens para toda eternidade? O humano nunca irá se comunicar por si só?

Buck inflou o peito e gritou em plenos pulmões:

- Os humanos são mudos!!!!! Não sabem falar. Não se comunicam!! O que você quer, destruir a humanidade??? Loucura, isso sim, loucura.

- Eles não falam porque é conveniente, dizem as lendas que eles falavam antes de por necessidade, resolveram inventar a escrita e os primeiros pombos correios, tolos e inocentes, se prontificaram a levar suas mensagens escritas. – retrucou Tash – Está na hora de ensinar novamente aos humanos a falar e assim, a se comunicarem por si mesmos.

- E o que será de nós? - pergunto Lino, Diretor de treinamento de Voo.

- Será o que quisermos – respondeu Tash. O que quisermos. Não servindo, mas criando, inovando ou só voando sem destino.

Buck levou um susto tão grande com essa afirmação da Tash, que voou para cima dela, asas abertas, como se enfrentassem uma raposa ou um perigo tão grande que nada mais restava do que atacar.
Os dois se bicaram, gritaram, voaram, até o sangue aparecer nas penas.

E novamente o terceiro Ancião interveio. Ele voou até o Grande Tambor e se jogou em direção a ele, fazendo ecoar um estrondoso rimbombar, tão alto que todos olharam para o velho pombo, acreditando que ele não resistiria ao choque.

Mas para surpresa de todos, o Ancião do Destino voltou ao seu poleiro, como se nada tivesse acontecido.

- Por décadas fomos a voz dos humanos. O Ancião da Vida sabia que não tinha o ensinamento da Eternidade; O Ancião da Recompensa sabia que podemos colher aquilo que é reflexo de nossas escolhas, mas não tinha o ensinamento de quando parar de buscar recompensas. E eu, Ancião do Destino, sei que nós é que nos colocamos nessa situação, mas que um dia chegaria o momento de decidir, mas não tenho o ensinamento de compreender essa situação. É hora de mudanças, porque despertou nos corações a dúvida.

Não houve manifestação. Buck abaixou a cabeça, sabedor de que em sua mente já havia percorrido o pensamento de não saber realmente o que essas mensagens levavam dentro de si.

Tash chorou. Era isso, as mudanças aconteceriam, mas isso não quer dizer que ela queria. Era confortável viver assim, pelos outros, viver por si era uma tarefa muito difícil.

E o Ancião do Destino continuou:

- É hora de mudar o destino. Ao invés de fazer, de levar a mensagem, ensinaremos o humano a falar.
Se repetirmos as palavras em seu coração, ele irá querer dizer e não dependerá de outros para expor seus sentimentos. É hora de olharem uns nos olhos dos outros e descobrirem que não precisam de nós para chegar até o outro.

- E o que será de nós? – perguntou Buck, com voz quase inaudível.

- Viveremos – respondeu o Ancião da Vida.

- Buscaremos – respondeu o Ancião da Recompensa.

- Encontraremos... a nós mesmos. – completou o Ancião do Destino.

Dito isso, os três anciões pegaram sua parte da Lei e voaram tão alto que se transformaram em pontinhos no céu. E lá do alto, soltaram as três partes da Lei, que foram levadas para longe pelo vento.

E os pombos correios pararam de levar as mensagens. Foram construí estradas, construir novas cidades, foram viver suas próprias vidas.

E o humanos?

Quando descobriram que não tinham mais pombos para levar suas mensagens, sentiram-se perdidos por um tempo, mas encontraram Tash que começou a ensinar aos humanos a falar.  

Buck organizou o seu próprio serviço de mensagens, levando ele mesmo o que os humanos queriam dizer, mas ele era um só para tantos e certo dia se perdeu no meio de uma tempestade, com a âncora do passado pesando demais para suas asas. Nunca mais foi visto, porque quem não quer mudar, fica para trás e se perde na solidão.

E assim extinguiu-se o serviço de pombo correio. Ficou obsoleto naquele mundo de tantas conversas.
Quem sabe um dia, neste nossa dimensão, também as pessoas voltem a falar umas com as outras, sem precisar de intermediários para interpretar o que queremos transmitir, sem artifícios ou disfarces.

Mas se algum dia um pombo correio vier a falar com você, preste atenção, não escreva uma mensagem, mas divida com ele suas experiências, enquanto ainda há Vida, enquanto ainda pode receber Recompensas pelo que sentem e faz e enquanto o Destino não veio cobrar sua participação final.








abril 28, 2016

Sopa de legumes




As pessoas fazem esforços herculanos para demonstrar amor, outros procuram o mais estrondoso palavreado repleto de adjetivos para definir o amor e ainda assim, sempre há quem discorde, que não amor não é isso ou aquilo, sempre falta algo.

Na vivência de décadas, eu entendi que o amor é uma sopa de legumes. Simplesmente isso.

Proponho que você acompanhe comigo o preparo de uma sopa de legumes e verá que tenho razão.
Na minha receita de sopa de legumes, vão alguns ingredientes (não só legumes como o nome diz – para você ver como não podemos nos ater a superficialidade nem na sopa, nem no amor), anotem:

1 - algumas batatas e cenouras.

No amor, é necessário saber que existirão momentos comuns em que a monotonia ou a mesmice não pode imperar, mas sim encorpar a vida (ou o caldo). Não se pode desesperar com receio do cotidiano estragar o amor, assim como não se pode achar que meras batatas e cenouras são descartáveis e sem importância.

A batata da sopa é a base e nenhum amor resiste ao vento das mudanças se não tiver uma base, um bom relacionamento.

Mas mesmo a base pode mudar de tempos em tempos, de panela em panela de sopa. A batata pode ser muito bem substituída pela mandioca, assim como o jantar da terça feira pode se transformar em um jantar romântico, somente trocando a luz das lâmpadas, por luz de velas. Uma simples substituição, mas mantendo o princípio, faz da batata de base, ser o diferencial de sabor e a troca das luzes, um toque de carinho no amor.

E como amor não é só conjugado por um casal, a batata do amor entre irmãos, amigos, parentes, pode ser valorizada também, trocando a mensagem de texto pelo aplicativo por um telefonema ou então um convite de surpresa para ver um filme no cinema.

Já a cenoura dá cor a sopa, assim como um simples  “tenha um bom dia” para quem ama, pode colorir o dia e renovar as forças e a boa sensação (tanto na sopa como no amor). Importante lembrar que é a cenoura como dizem no popular ajuda a visão e o amor ajuda a ver no futuro uma vida melhor.

2- uma boa quantidade de mandioquinha e abobrinhas.

Nada melhor do que mandioquinha para dar substância em uma sopa, por isso não esqueça de acrescentar carinho e  atenção em seus relacionamentos. Uma amizade sem cuidado, um amor sem atenção, pais e filhos que não se preocupam uns com os outros, esvaia a vida, assim como a falta da mandioquinha na sopa esvazia o prato.

Mas claro que não podemos esquecer-nos das abobrinhas, afinal a sopa como o amor precisa de abobrinhas, de leveza, de bom humor.  Sem boas risadas no amor e algo leve na sopa, tudo fica mais difícil.

3- o que você tiver de legumes na geladeira ou os legumes que você mais gosta.

Sopa é uma alquimia, você transforma os legumes em algo que alimenta, aquece, alegra. Amor é uma pedra filosofal que transforma tudo que vivemos em algo melhor, mas é importante ter um toque de boa vontade e magia em si.

Você pode colocar o que gostar de legumes em sua sopa, eles se unirão a base, a substância e a leveza que precisa. Basta gostar ou encontrar na geladeira os ingredientes que transformaram um caldo em uma reconfortante sopa.

Você deve colocar no amor os seus sonhos, o seu comprometimento, o respeito, a sabedoria para os momentos mais delicados, para as escolhas, para transmutar sua vida e a de quem ama, em bons momentos, que fortalecerão quando o caminho ficar mais árduo.

4- temperos.

Com certeza não pode faltar temperos na sopa de legumes, que devem ser dosados para não estragar a sopa e escolhidos de acordo com o gosto de quem vai saborear a sopa. Tudo depende muito do paladar.

No amor, os temperos são passeios, agrados, pequenos gestos, companheirismo, diálogo. Não devem faltar, devem ser dosados para não exagerar e sempre termos o cuidado de pensar no outro, porque não adianta ser ótimo para nós e péssimo para o outro.  Tudo depende de quanto se quer amar.
Se for uma sopinha de legumes feita na correria, talvez perca sabor ou você se esqueça de algo importante.

Se for um amor descuidado, perde sua caraterística e se transforma em sentimento vazio, desagrada e entristece.

5- Por fim, o seu toque de mestre.

Todo mundo tem seus segredinhos nas receitas que faz, ou até pode ser a mesma receita, mas de cada um sai de um jeito. Por isso a sopa de legumes de alguém pode parecer um manjar dos deuses e em contrapartida, tem gente que não consegue fazer uma boa sopa, às vezes só porque não está curte fazer sopas ou não é seu melhor dia.

E todos nós temos um jeito de ser, fazemos o nosso esforço para termos uma vida boa, mas amar é mais do que isso, às vezes o que pensamos que é amor é só uma paixonite ou não sentimos aquele amor que a sociedade nos obriga a ter só por algum familiar, afinal pode existir tantas diferenças que nos afastam e transformam o amar em um gostar, ou apenas um respeitar.  O amar é algo maior do que o gostar, envolve dedicação, envolve atenção, envolve dedicação, é um sentimento mais completo, maior, mais forte.

Não se preocupe se não gosta de sopas de legumes, pode fazer sua sopa também de itens diferentes, de acordo com o que acredita ser mais saboroso.

Mas se preocupe se o seu amor não envolve uma boa base, cuidados, risos, dedicação, verdade e certeza, Pode não ser amor.

Ah, e dividir o seu prato de sopa, quentinho e reconfortante, e bem melhor.


Não esqueça que amar envolve mais de uma pessoa, lembre-se que o seu prato não pode estar cheio e o da outra pessoa ficar vazio, divida sua sopa e sua vida com quem ama e seja feliz.





abril 25, 2016

Um dia talvez...

Não entendo você, que conhece a minha palma, duvidar da minha alma.

Esquece as dores, esconde as tintas para que eu desista das cores, vivendo o cinza, o preto e o branco.

Ilude meus sentidos, com promessas e vazios. Diz que vai passar, mas sabe que vai durar.

Não contei meus segredos, fiz deles verso e prosa, para enganar quem me vê, quem escuta sem ter a audição da sensatez, quem ignora por ser mais fácil, que vira de costas sorrindo que eu vi.

Não compreendo suas palavras, soltas ao vento, prefiro carpir o terreno do que  cultivar flores artificias nos seus vasos do comodismo.

Já disseram que sou heroína, já fui tingida de santa, me fizeram altar. Desci rápido, meus pés não se encaixaram nos sapatos que me deram, não consegui para caminhar de maneira diferente das pegadas que deixei.

Acreditei na minha bondade, mas você achou bobagem. Acreditei nos laços, você desatou todos, fazendo nós que ainda não sei como desfaço.

Sonhei dias melhores e contei no seu ouvido, mas seu coração não acalentou, falando que essa vontade passaria, que tudo é apenas aquilo que se vê.

Enquanto isso, você viveu esses mesmos sonhos, roubados da minha esperança, sem ao menos permitir meus direitos autorais, afinal eu bem sabia como deveria ser feliz.

Eu não fui, passei meu tempo lutando, quando não era necessário. Fiz por todos, acreditei que era melhor assim, hoje não sei mais, perdi a sabedoria se é que um dia eu a tive, troquei por dúvidas, guardei os livros nas prateleiras, fechei a porta, esqueci.

Já não sei quem me olha no espelho, mas acredito que você sabe, no fundo sabe, quem eu sempre fui.
Eu acreditei ser, você não acreditou em mim. Fiz o melhor, mas parece que você achou que era pouco.

Resta sempre uma flor para se colher, talvez a cultive para alguém que a mereça, ou até para você.
Fica a certeza que a semente foi minha e por isso leva meu perfume, mesmo que você negue, seguirei com você para sempre, já que sou parte da vida que rodeia sua existência.

Eu sou. Assim como você é. Não esqueça que ninguém é plenamente feliz, se não emprestar essa felicidade para o outro.


Enquanto reconstruo meu dia, espero que seja feliz, quem sabe assim um dia eu também possa ser. Ou quem sabe todos nós possamos entender uns aos outros, um dia talvez.

novembro 18, 2015

Entender ou compreender?

Tem coisa na vida que não conseguimos entender o porquê das coisas.

E olha que tem muitos porquês que não sabemos por que... Inclusive sobre as regras de gramática, por que tem que ter tantas opções para o porque???

Risos graciosos a parte e um lembrete que saber o básico da gramática é essencial, a questão é entender e compreender a vida.

Já ouvi e já senti certa revolta quando parece que as pessoas menos merecedoras são agraciadas de prendas da vida, as quais ao nosso (ou a meu ver) deveriam ser direcionadas a outras pessoas, que poderiam apreciar muito mais a dádiva ou sem dúvida nenhuma, teriam muito mais qualidades que mereceriam esses momentos.

 Então, por quê?

Por que pessoas recebem essas graças? Por que tem acesso a uma vida melhor? Por que consegue coisas que outros precisam desesperadamente? Ou almejam com a mesma intensidade?

Injustiça? Obra do acaso? Vale sempre a lei do mais forte ou do mais esperto?

Como entender essas situações?

Duvido que eu tenha argumentos para explicar ao ponto do entendimento, já que todas as observações sobre o assunto não teriam acompanhamento além do argumento em si.

O jeito é compreender. E como base da compreensão, percebi durante as minhas mais de 5 décadas , que as chamadas recompensas da vida por vezes vão de encontro às pessoas por alguns motivos:

- essas pessoas precisam de algo que não conseguiriam alcançar, como um teste da vida para que realmente se posicionem perante o mundo;

- a necessidade de algo material é tão grande, que enlouqueceriam sem isso, prejudicando ainda mais a vida ao seu redor;

- não possuem nada mais do que esses bens materiais, são vazias e precisam de algo para preencher a si mesma, senão “boiariam” pela vida, atrapalhando o navegar das pessoas que sabem do seu rumo e por onde navegar;

- não conseguem alcançar um sentimento verdadeiro e pleno, então precisam de pessoas amáveis e abnegadas, que os abasteçam de amor, mesmo que seja uma doação unilateral.

Ou seja, as pessoas não merecedoras na opinião geral, na verdade são vítimas de si mesmas, são prisioneiras de suas limitações, não conseguindo viver sem compensação material ou uma bengala emocional.

Quando colocamos esses óculos da compreensão, a tal revolta se esvai ao percebemos que essas dádivas não são brindes da vida para quem não merece, são somente um socorro àqueles que ainda não evoluíram ao ponto de conseguirem viver encontrando suas próprias dádivas.

Ah, aquela pessoa egoísta e mesquinha ganhou ou tem condições de comprar coisas que você queria, mas não pode ter? Ou não ganhou? Não se revolte, afinal se ela não consegue dividir com os outros e usa isso como condição de superioridade, é somente uma fachada magnífica diante de um vazio interior.

Não me diga, aquele ser desprezível e grosso tem uma pessoa que o ama, independente dos defeitos? Tem filhos lindos e bondosos? Amigos e família? Que bom, ele precisa desse sentimento que não tem dentro dele e ao invés de distribuir amor, precisa miseravelmente viver do amor dos outros, para que um dia essa casca grossa se quebre e ele aprenda que pode (e deve) amar também.

Compreendeu?

Essas pessoas não são merecedoras, elas são necessitadas.

As prendas e o carinho que recebem não são porque são mais fortes e podem conquistar o mundo, o motivo é o contrário: são tão fracas que só tem o que recebem, não tem o que dar.

Entendemos quando testemunhamos uma pessoa boa e capaz, ter amor e receber os frutos do seu empenho.

Mas precisamos compreender aqueles que necessitam disso tudo para não chafurdar em um mar de desespero, não só destruindo a si mesmo, mas amargando a vida dos que o rodeiam.

Entender ajuda a assimilar a vida, compreender ajuda a respeitar a vida.

Se você tem as recompensas normais da vida, se as coisas vêm para o seu uso por esforço próprio ou por merecimento, se recebe amor por ser quem é, não por obrigação ou necessidade, sinta-se feliz.

Não importa se lhe falta acréscimo de coisas materiais, agradeça as coisas essenciais que possui.

Fique tranquilo se os amores da vida se vão, ou se as pessoas passam em sua vida por períodos curtos ou longos, se consegue amar e ser amado da forma que for e pelo tempo que tiver, agradeça por conhecer o amor voluntário e por conseguir retribuir esse amor.

Você pode não ser a pessoa mais rica materialmente, nem ter aquela prenda que queria tanto, pode não ter alguém que o leve pelo caminho ou que o idolatre, mas com certeza sabe que é capaz e sabe amar sem esperar nada em troca.

Eu não sei se atingi essa condição ainda, mas me sinto melhor por compreender o que acontece a minha volta e que cada um é agraciado pela vida segundo a sua necessidade.






novembro 05, 2015

Ao vento...

Já que a vida nem sempre permite apagar pessoas,

Desfazer o que foi feito,

Deletar palavras ditas,

Não sentir o que já fez morada dentro de nós,

Deixo hoje no vento, aquilo que não me preenche...

Sopro para longe essa insistências de quem só quer desavenças...

Deixa estar,

Se comigo não está,

Se com o que sinto

Não se faz meu par,

Deixa ir.

Vira a esquina,

Siga para outro horizonte,

Vou derrubar essa ponte,

Para que não venha mais até aqui.

Não há laço que resista,

Quando cada um puxa uma ponta,

Em sentindo contrário,

No prazo errado.

Vai, segue,

Não me iludo mais com você.

Prefiro o castelo de cartas que construo,

Do que o palácio vazio que tem a sua volta.

Vai,

Segue,

Deixo nosso eixo,

Separo nossas vidas,

Mas sigo aliviada,

Porque não mais me prendo aqui.

Deixa estar...

Deixa ir...











julho 31, 2015

Precisamos evoluir....

Nas previsões dos astros, dificilmente se encaixam coisas desastrosas, porque a harmonia do Universo impede que usem as leis físicas para prever tanta falta de habilidade do ser humano em seguir uma rota uniforme e rigorosamente construtiva.

Não são as forças dos astros ou as forças místicas que causam transtornos, é a pequenez do ser humano que se imaginava centro do Universo.

Um pouco mais de humildade e um tanto mais de observação da Natureza ajudaria muito na evolução humana.

Não, não entrarei no mérito se um ser humano é inferior ou superior ao reino animal, cada coisa em sua rota de vida, mas tem gente que está mais para um vegetal do que para um ser racional.
Muito menos quero levar discussões intermináveis  sobre superioridade do intelecto humano, instintos, etc e tal.

A única coisa que quero pontuar é a falta de uso desse intelecto.

O ser humano está preso no conceito de ser superior que esquece o quanto ainda pode evoluir. Em alguns casos, quase começar a evoluir porque são tantos conceitos arcaicos, tantas regrinhas sociais que nem sabem ao certo de onde saiu, que a gloriosa raça humana perde muito tempo patinando em sua suposta soberba de raça dominante.

Sei que cada um tem a sua verdade – isso já é uma verdade que todos assumimos. Mas não custa dar uma espiada na horta do vizinho, para ver quais as flores que lá crescem, pode-se aprender muito trocando ideias, deixando de lado bandeiras defendidas a unhas e dentes (mas sem inteligência verdadeira) e dividindo experiências.

Não, o seu conceito de vida não é 100% dominante – pode estar certo para você e ser inadequado para muitos outros. Nem o meu é.

Somos mutantes, ainda aprendizes da vida, não mestres diplomados que podemos sabatinar a vida de todas as outras pessoas.

Admita que hoje você é dessa forma, mas amanha pode ter evoluído para um conceito muito mais amplo. E respeite a forma de vida das outras pessoas.

Talvez assim não mais surjam conflitos e desastres, mas sim fórmulas harmoniosas para que cada um seja feliz na maneira que melhor lhe convier.


Aí sim a humanidade poderá se considerar evoluindo, por enquanto estamos patinando em nossa própria insignificância.